Sobrevivente de caso Marielle é recebida no Ministério da Justiça

A única sobrevivente do atentado contra a vereadora Marielle Franco foi recebida no Ministério da Justiça e ouviu promessas de elucidação do crime.

Ex-assessora de Marielle, a jornalista Fernanda Chaves foi convidada pelo ministro Flávio Dino para uma reunião com seus assessores.

Foi a primeira vez que ela teve contato com o governo federal desde 2018, ano em que a vereadora foi executada.

"O novo governo deixou claro que tem interesse real na elucidação do crime. Pela primeira vez, senti um sopro de esperança", disse Fernanda à coluna.

"É papel do Estado ouvir as pessoas envolvidas neste caso. Isso não aconteceu nos últimos quatro anos", acrescentou, referindo-se ao governo de Jair Bolsonaro.

Após uma conversa com Dino, a jornalista foi recebida nesta quarta pelo secretário executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, e pelo secretário nacional de Segurança Pública, Danilo Cabral.

"O encontro foi muito bom. Eles não tinham muita noção dos detalhes e pormenores do caso. E ficaram chocados ao saber que nenhum delegado me ouviu desde o Giniton Lages", contou.

Lages foi afastado do inquérito em março de 2019, no início do governo Wilson Witzel. Depois disso, a investigação já passou pelas mãos de outros quatro delegados, sem que a polícia identificasse os mandantes do crime.

Fernanda Chaves estava no banco de trás do carro que transportava Marielle no momento do ataque. A vereadora e o motorista Anderson Gomes morreram no local. A assessora foi ferida por estilhaços, mas escapou dos tiros de fuzil.

Antes de tomar posse, o ministro da Justiça também conversou com os pais de Marielle e com sua irmã, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial.

Dino afirmou que vai procurar o governador do Rio, Cláudio Castro, e revelou que pensa em pedir a federalização do caso.

Ele disse que é "questão de honra" esclarecer quem mandou executar a vereadora, cuja morte fará cinco anos em março.