Sobreviventes sobre ataque em escolas do ES: 'Deu tiro para pegar em mim'

Ataque em Aracruz deixou 4 mortos (Foto: KADIJA FERNANDES/AFP via Getty Images)
Ataque em Aracruz deixou 4 mortos (Foto: KADIJA FERNANDES/AFP via Getty Images)

Testemunhas e vítimas do ataque a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, na última sexta-feira (25), que deixou quatro mortos e 13 feridos, relataram momentos de terror durante o período e após o atentado a tiros.

De acordo com a polícia, o adolescente de 16 anos suspeito de cometer os crimes entrou pela lateral da Escola Estadual Primo Bitti, conseguiu arrombar dois portões até chegar na sala dos professores. Foram 30 tiros. O professor de filosofia Luiz Carlos Simoura, conversou com o programa Fantástico, da TV Globo, exibido neste domingo (27), conta que quase foi baleado.

O atirador realizou os disparos e um dos tiros pegou na parede, quando segundo o professor, que ficou de frente com o adolescente, era pra ter sido nele.

“Ele deu aquele tiro para pegar em mim”, disse Luiz Carlos.

Flavia Merçon, de 38 anos, Maria da Penha Pereira de Melo Banhos, 48, e Cybelle Passos Bezerra, de 45, que eram professoras na escola, morreram no ataque.

O delegado Leandro Sperandi, disse que após a notícia do ataque se espalhar, pais desesperados correram para a escola e no local encontraram testemunhas, vítimas e sobreviventes em pânico.

“Encontramos a população já ao redor da escola triste, aflita, apreensiva. Encontramos professores e alunos em pânico, mas encontramos também uma equipe muito competente, pensando em todo o socorro, toda assistência à saúde dessas pessoas”, diz o delegado.

Pouco tempo depois do ataque à escola Primo Bitti, o atirador seguiu para uma outra escola, particular, a pouco mais de um quilômetro dali. O assassino entrou pelo portão do Centro Educacional Praia de Coqueiral, o CEPC, e atirou primeiro contra a secretaria da unidade.

No espaço, a adolescente Selena Zagrillo, de apenas 12 anos, aluna do 6º ano, morreu dentro da escola.

Taís Fantini, mãe de Selena, que foi imediatamente para a escola assim que soube do ataque, disse ao Fantástico ter perdido a filha para o ódio.

“Perder um filho é uma dor que ninguém está preparado, nenhuma mãe, nenhum pai. Só Deus pra me dizer como que eu vou seguir, de agora em diante. A minha filha sempre foi luz e amor, e hoje eu perdi minha filha para o ódio”, desabafou.

Além de Selena, outro estudante foi baleado dentro do centro educacional e segue internado e seu estado de saúde é estável.

O assassino de 16 anos, usou duas armas do pai no ataque e na vestimenta usada no ataque, um símbolo nazista, chamou a atenção dos investigadores.

O adolescente vai responder por ato infracional semelhante aos crimes de nove tentativas de homicídio qualificado e quatro homicídios qualificados, por motivo fútil e sem possibilidade de defesa das vítimas.

A Polícia Militar (PM) informou, por nota, que vai analisar a necessidade de abertura de procedimento administrativo disciplinar contra o policial militar, que é pai do assassino e dono das duas armas usadas no crime.

Sete feridos permanecem internados. Quatro em estado grave.