Sociedade precisa se unir para combater o ódio

No início do ano, o “Fantástico”, da Rede Globo, denunciou a existência de pelo menos 530 núcleos neonazistas espalhados pelo Brasil, alguns agrupando cerca de 10 mil pessoas. Os números podem parecer insignificantes diante de mais de 200 milhões de habitantes com quem convivemos diariamente. Para muitos, porém, isso representou um sinal de alerta, um chamado para ação.

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Em primeiro lugar, é preocupante o crescimento exponencial, o risco que representa. Desde 2019, triplicou o número de seguidores desse movimento. O alarmante é a presença de tal ideologia em solo brasileiro, algo totalmente contrário ao reconhecido espírito de convivência harmoniosa de nosso país. Além disso, entre os países da região, somos um dos poucos que têm uma legislação rigorosa contra o racismo e discriminação, promulgada há mais de 30 anos.

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Cabe esclarecer que não se trata de fenômeno exclusivamente local. Pelo contrário, distintos fatores têm contribuído para o aumento da intolerância em nível global. Por meio da internet, uma espécie de “terra de ninguém”, a rapidez com que o fenômeno cruza o globo, com suas informações, pode causar impacto do outro lado do planeta.

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Lamentavelmente, os exemplos são abundantes, e nenhum fator existe para impedir a estigmatização do outro. A religião, o gênero, o corpo, a orientação sexual de uma pessoa se tornaram motivo suficiente para o ódio. E tal ódio, tristemente, consegue abraçar as formas mais extremas de violência, incluindo o terrorismo.

Dentro de uma semana, teremos mais um aniversário de um dos mais significativos atentados da história latino-americana. Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba explodiu no seio da comunidade judaica argentina, assassinando 85 pessoas, deixando mais de 300 feridos e incontáveis famílias destroçadas. Vinte e oito anos depois, não se fez justiça.

Ao longo das três décadas seguintes, não estamos livres da sombra do terrorismo. Nos últimos anos, assistimos a ataques a sinagogas, mesquitas, igrejas.

A impunidade no ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) é um convite àqueles que promovem o ódio e o terror. Por isso devemos nos unir para continuar cobrando justiça e voltar nossos esforços para a construção de um futuro livre do ódio.

Vamos recordar a data, lembrar as vítimas — e com um olhar otimista. Será na América Latina o principal evento de combate ao antissemitismo e ao discurso de ódio. Organizado pelo Congresso Judaico Latino-Americano e pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, o Fórum Latino-Americano de Combate ao Antissemitismo e Discurso de Ódio será uma oportunidade para refletir sobre o tema.

Durante dois dias, alguns dos principais especialistas do mundo na questão — entre os quais Deborah Lipstadt, enviada especial do governo americano para o combate ao antissemitismo; Fernando Lottenberg, comissário da OEA para o monitoramento e luta contra o antissemitismo; e Dani Dayan, presidente do Yad Vashem (Museu do Holocausto) — se reunirão em Buenos Aires junto a 250 membros do governo e representantes da sociedade civil, para pensar soluções criativas contra os discursos de ódio. Porque, para lutar contra o ódio, é necessário unir esforços de todos os setores da sociedade. O trabalho será em equipe, esse será o principal elemento para o sucesso. Nos próximos dias 17 e 18 nos esperam 48 horas de homenagens, diálogo e otimismo para a construção de um mundo melhor.

*Claudio Epelman é diretor-executivo do Congresso Judaico Latino-Americano e representante do Congresso Judaico Mundial para o Diálogo Inter-Religioso

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