Socorristas buscam sobreviventes após deslizamento no Japão

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As equipes de resgate japonesas continuam, neste domingo (4), as buscas por sobreviventes após um gigantesco deslizamento que deixou dois mortos na cidade costeira de Atami, no centro do Japão, ainda afetada por fortes chuvas que complicam a missão de socorro.

Duas mulheres morreram na tragédia, 19 pessoas foram resgatadas e outras vinte ainda estão desaparecidas, disse à AFP Yuta Hara, porta-voz do centro de gerenciamento de desastres da cidade, localizada 90 km a sudoeste de Tóquio.

Segundo suas estimativas, cerca de 130 imóveis foram afetados pela torrente de lama que assolou parte da cidade na manhã de sábado, varrendo as casas próximas a um morro e transformando as áreas residenciais em um atoleiro.

Chieko Oki, uma funcionária de 71 anos em uma rua comercial de Atami, contou que "grandes postes de energia foram arrancados. Eu mal tive tempo de me perguntar o que estava acontecendo, a correnteza de lama já estava passando. Realmente tive medo".

Hisao Shima, um pescador de 58 anos, lembra que quando a sirene de emergência soou, ele não achou que fosse "sério". "Mas quando saí, o barulho ao redor era realmente impressionante".

Neste domingo, água escura ainda corria por veículos parcialmente soterrados e edifícios destruídos, arrancados de suas fundações.

Um ar condicionado aparecia pendurado em uma casa destruída que terminou em cima de um morro de lama e escombros.

Em meio à destruição, e ainda sob chuva que às vezes obriga a interrupção do trabalho de resgate, os socorristas subiam nos telhados e inspecionavam os carros levados pela avalanche, enquanto policiais com cães inspecionavam as casas afetadas e mergulhadores da guarda costeira mergulhavam nas águas turvas.

"Retomamos as operações de resgate no início da manhã com cerca de mil socorristas, incluindo 140 soldados. Fazemos o possível para encontrar sobreviventes o mais rápido possível, em uma operação com grandes precauções porque a chuva continua", declarou à AFP uma fonte da prefeitura de Shizuoka.

A agência meteorológica japonesa avisou neste domingo que as chuvas vão continuar por vários dias em partes do país, e alertou para o risco de novas inundações e deslizamentos de terra.

- Abrigos -

A cidade de Atami, conhecida por suas fontes termais, recebeu 313 milímetros de chuva entre sexta e sábado, mais do que a média mensal de julho de 242,5 milímetros, de acordo com a televisão pública NHK.

Cerca de 2.800 casas ficaram sem energia e muitos sobreviventes se estabeleceram em abrigos temporários.

Em uma academia, colchões foram colocados no chão e os desabrigados tinham que seguir rigorosamente as medidas sanitárias contra a covid-19, como uso de máscara e distanciamento físico.

No total, 387 pessoas ficaram desabrigadas em Atami, de acordo com o porta-voz Yuta Hara.

Grande parte do Japão está atualmente em sua estação chuvosa, que dura várias semanas e costuma causar inundações e deslizamentos de terra que obrigam as autoridades a ordenar evacuações.

Os cientistas alertam que as mudanças climáticas intensificam o fenômeno, pois uma atmosfera mais quente retém mais água e provoca chuvas mais intensas.

Em 2018, mais de 200 pessoas morreram em inundações devastadoras no oeste do Japão.

O primeiro-ministro Yoshihide Suga lembrou neste domingo os riscos relacionados a essas fortes chuvas.

"Gostaria de pedir que nossa população fique longe de áreas perigosas", disse Suga, pedindo atenção especial a eventuais ordens de evacuação.

Takeo Moriwaki, professor de engenharia geotécnica do Instituto de Tecnologia de Hiroshima, disse que evacuar mais cedo é essencial para salvar vidas, embora reconheça que é difícil saber quando e onde uma avalanche acontecerá.

"Deslizamentos de terra podem ocorrer repetidamente no mesmo lugar, mesmo se parar de chover. Os residentes e os socorristas devem permanecer em alerta por enquanto", disse ele à AFP.

De acordo com a NHK, as fortes chuvas dos últimos dias causaram deslizamentos de terra em pelo menos oito locais no Japão.

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