Socorro aos estados: Com nova alteração, Sul e Sudeste vão receber quase R$ 1 bilhão a mais para saúde

Gabriel Shinohara
Amapá é o estado que mais perde com a alteração feita pela Câmara

BRASÍLIA - O Sul e o Sudeste devem receber quase R$ 1 bilhão a mais dos R$ 10 bilhões destinados exclusivamente para a saúde propostos pelo projeto de socorro aos estados e municípios. A conta é da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara.

O Sudeste deve receber R$ 920 milhões a mais do que o previsto na proposta do Senado. O Sul receberá R$ 26 milhões a mais. As outras três regiões receberão menos recursos do que o anteriormente previsto.

Em comparação, o Norte é quem mais vai perder recursos, com R$ 796 milhões. O Nordeste terá redução de R$ 52 milhões, seguido pelo Centro-Oeste, com uma perda de R$ 98 milhões.

A proposta foi aprovada nesta terça-feira pela Câmara e modificou o texto aprovado pelo Senado no fim de semana. O projeto prevê um repasse de R$ 60 bilhões para estados e municípios, sendo que R$ 10 bilhões devem ser gastos exclusivamente com saúde.

A alteração feita na Câmara foi exatamente sobre esses R$ 10 bilhões. No projeto dos senadores, o critério de distribuição levava em conta a taxa de incidência do Covid-19 e na população de cada estado.

Essa forma beneficiava estados menores, como o Amapá, do presidente do Senado e relator da proposta, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O Amapá era o segundo estado que receberia mais recursos nessa fórmula. Agora é o que mais perde na comparação.

Os deputados aprovaram uma modificação proposta pelo partido Novo que mudava essa fórmula. A conta leva a em conta o número total de casos, e não mais a taxa. Dessa maneira, favorecendo estados mais populosos, com mais casos da doença.

Estados

São Paulo é o estado que mais se beneficia com a mudança, com um aumento de R$ 784 milhões na previsão de recursos. Em segundo lugar, o Rio de Janeiro receberá R$ 172 milhões a mais. Pernambuco, em terceiro, deve receber R$ 44 milhões a mais do o previsto na proposta do Senado.

O Amapá perde R$ 286 milhões com a alteração. Em segundo lugar, Roraima, com uma redução de R$ 199 milhões e o Amazonas, que deve receber R$ 147 milhões a menos.