Socorro a estados: Mudanças no Congresso reduzem em R$ 87 bi impacto de congelamento de salários de servidores

Marcello Corrêa
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia

BRASÍLIA - A flexibilização do congelamento de salários de servidores, proposta como contrapartida ao auxílio federal a estados e municípios, fez o impacto da medida ser reduzido de R$ 130 bilhões para R$ 43 bilhões — uma diferença de R$ 87 bilhões. O cálculo foi divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia. Nos últimos dias, Senado e Câmara alteraram o texto para blindar determinadas categorias dos efeitos da suspensão de reajustes.

Inicialmente, o texto elaborado pela equipe econômica, em conjunto com senadores, previa o congelamento de salários de todos os servidores federais, estaduais e municipais por 18 meses. A economia para as três esferas seria de R$ 130 bilhões.

No sábado, senadores protegeram profissionais da saúde e da segurança pública da medida, o que reduziu o efeito da medida para R$ 93 bilhões. Nesta terça-feira, a Câmara ampliou ainda mais o rol de categorias blindadas, incluindo policiais legislativos, professores, profissionais de limpeza e até servidores da área de defesa agropecuária. Com isso, o impacto caiu para R$ 43 bilhões.

Ou seja, só as concessões feitas pela Câmara custaram R$ 50 bilhões. Já as alterações aprovadas pelo Senado representaram um impacto de R$ 37 bilhões.

"As alterações afetam a capacidade que governadores e prefeitos terão para enfrentar a crise de saúde pública e o desemprego causado pela crise", disse o Ministério da Economia, em nota.

O texto será votado nesta quarta-feira pelos senadores. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também é relator do projeto, já disse que pretende reverter as mudanças feitas pelos deputados.