Soldado acusa colegas PMs de SP de homofobia e difamação: "Pegaram a foto do meu filho e colocaram uma berinjela"

·3 minuto de leitura
Na imagem acima estão duas postagens. À esquerda está a montagem feita com um emoji de berinjela sobre o rosto do filho do soldado Guilherme Ferreira. À direita, a foto original que foi retirada sem autorização do Instagram da mulher dele (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Na imagem acima estão duas postagens. À esquerda está a montagem feita com um emoji de berinjela sobre o rosto do filho do soldado Guilherme Ferreira. À direita, a foto original que foi retirada sem autorização do Instagram da mulher dele (Foto: Reprodução/Redes sociais)
  • Um soldado da PM de SP acusa um sargento e outros policiais militares da corporação de homofobia e difamação por fazerem insinuações sobre sua sexualidade

  • Segundo ele, que se identifica como heterossexual, agentes da PM colocaram um emoji de berinjela em uma foto onde o soldado aparece segurando o filho, ao lado da esposa

  • Embora o soldado se apresente como heterossexual nas redes sociais, ficou claro, segundo ele, que o sargento e outros PMs tiveram atitudes homofóbicas

O soldado da Polícia Militar (PM) de São Paulo, Guilherme Ferreira Vicente, acusa um sargento e outros policiais militares da corporação de homofobia e difamação por fazerem insinuações sobre sua sexualidade. Segundo ele, que se identifica como heterossexual, agentes da PM colocaram um emoji de berinjela em uma foto onde o soldado aparece segurando o filho, ao lado da esposa. 

A figura do legume substitui o rosto da criança e, de acordo com Guilherme, foi usada com conotação sexual seguida de ofensas homofóbicas em grupos dos policiais no WhatsApp.

Leia também

Em um vídeo, o soldado Vicente, como é conhecido internamente na coorporação, afirma que as ofensas começaram após ele ter publicado um stories em uma rede social dizendo que estava com vontade de "comer berinjela".

"Recentemente fiz um storie falando que estava com vontade de comer berinjela. Uma certa pesssoa pegou o vídeo e começou a espalhar tentando atingir a minha sexualidade, dizendo que 'eu sou gay' por causa da berinjela. Um sargento, que eu não tenho intimidade, pegou o vídeo e fez comentários me difamando em um grupo cheio de polícia", disse.

Embora Guilherme se apresente como heterossexual, ficou claro, segundo ele, que o sargento e outros PMs tiveram atitudes homofóbicas.

No vídeo, o soldado ainda mostrou uma mensagem que recebeu no grupo de WhatsApp que dizia: "Quando esse aí peida sai o cheiro de jontex", uma alusão a uma marca de preservativo masculino.

Guilherme e Ana Carolina, ambos de 25 anos, tem imagens segurando o filho. Foi justamente uma dessas fotos que passou a circular entre os PMs com ofensas diretas ao soldado.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Ofensa a comunidade LGBTQI+

Segundo o G1, Guilherme, do 13º Batalhão da PM, da Companhia Tática Nova Luz, na capital paulista, também registrou boletim de ocorrência eletrônico para denunciar os crimes. Ele e a mulher moram em Bauru, no interior do estado. 

“Tenho família, achei um desrespeito enorme terem usado a foto do meu filho com um emoji de berinjela para quererem atingir minha sexualidade e ofenderem a comunidade gay”, disse Guilherme ao G1.

De acordo com o soldado, a intenção de quem fez isso foi a de insinuar que o legume representa um pênis e que ele é gay por isso. Por tabela, o soldado afirmou que teve conhecimento de os xingamentos homofóbicos contra ele também atingiram a comunidade LGBTQI+, a ofendendo.

PM diz não compactuar com discriminação

Nesta quinta-feira (27), a corporação informou que “não compactua com nenhum tipo de discriminação” e que apura a denúncia.

"A Polícia Militar é uma instituição legalista e não compactua com nenhum tipo de discriminação. A PM esclarece que o policial militar ainda não formalizou a denúncia, entretanto o comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, ao tomar conhecimento do vídeo, imediatamente adotou providências para apurar os fatos apresentados”, informa o comunicado da corporação.

Na denúncia que fez, Guilherme ainda lamentou ainda que as ofensas tenham sido dirigidas à comunidade gay.

“Desrespeito total comigo, com a minha família, com a instituição da Polícia Militar e com pessoas de ambas sexualidades, usando da própria sexualidade para me atingir. Não posso me calar!”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos