Soldado da PM é assassinado após carro enguiçar na zona norte de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O soldado da Polícia Militar Fabiano Aparecido Meles, 32, foi assassinado com um tiro na cabeça na zona norte de São Paulo por volta das 21h30 de terça-feira (6).

Ele voltava de um culto religioso quando seu veículo apresentou uma pane na rua Sete Barras, na Freguesia do Ó. Como não conseguiu consertar o automóvel, ele resolveu chamar um motorista de aplicativo para levar a mulher que o acompanhava.

Pouco tempo depois, conforme relato dessa mulher, três homens chegaram a pé e anunciaram um assalto.

De acordo com a testemunha, ao sair do veículo, ela ouviu vários disparos. Na sequência, viu o soldado caído no chão. A mulher então correu até um posto de combustível na avenida Edgar Facó, onde pediu socorro.

Equipes do 18° batalhão, onde Meles trabalhava, foram até o local. O soldado foi socorrido e morreu no hospital.

O boletim de ocorrência aponta que um dos criminosos exigiu o celular das vítimas. A mulher disse que os ladrões não pegaram seu celular, mas o do PM não foi encontrado.

Câmeras de segurança registraram a movimentação do trio em direção ao PM, e, depois dos disparos, o momento em que eles correm para deixar o local. Ainda conforme o depoimento da testemunha, o autor do tiro é branco e possui cerca de 1,65 metro de altura. Ele trajava um agasalho escuro.

Meles estava armado com uma pistola calibre 9 milímetros. Policiais que atenderam a ocorrência encontraram a arma na cintura da vítima. A pistola foi apreendida.

"O soldado Meles foi assassinado a sangue frio, provavelmente por ter sido identificado como policial. Prender os criminosos é uma questão de honra. Atuaremos de maneira maciça, com todos os recursos disponíveis, até que os responsáveis sejam identificados e presos", disse o coronel Emerson Massera, comandante do policiamento na região norte da cidade.

O caso foi registrado no 45º DP (Vila Brasilândia).

MORTE DE POLICIAIS FORA DE SERVIÇO

Em 2020, o estado de São Paulo registrou a morte de 20 PMs de maneira violenta fora do horário de serviço. Em 2021, esse número caiu para 11, segundo dados oficiais.

Neste século, o maior registro de mortes desse tipo foi em 2012, com 82 policiais assassinados.

No primeiro semestre deste ano, o estado de São Paulo registrou 85 casos de latrocínio —roubo seguido de morte. No mesmo período de 2021, foram 88 registros, em 2020 foram 95, e, em 2019, 91 casos.

Só a capital registrou 30 casos neste ano, 34 no anterior, 26 em 2020, e 32 em 2019.

Foi justamente após um caso de latrocínio —a morte de Renan Silva Loureiro, 20, assassinado em maio por um falso entregador na zona sul da capital— que o governador Rodrigo Garcia (PSDB) anunciou a Operação Sufoco.

A ação, diz a gestão tucana, tinha o objetivo de dobrar o número de policiais na capital por meio de atividades extras e reforçar o policiamento em outras regiões do estado, integrando policiais civis, militares e guardas municipais.

No estado, a quantidade de ocorrências de furtos de janeiro a junho deste ano registrou leve alta no comparativo com o mesmo período de 2019. Foram 275.998 casos contra 271.311, segundo dados divulgados pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) nesta segunda-feira (25).