Solidariedade aumenta doações para instituições carentes no fim de ano

Carolina Ribeiro
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Lar Luz e Amor, em Higienópolis, fundado por Vó Nescy (sentada), atende 20 crianças

RIO — “Para o ano que vem, continuo sonhando”. A frase dita por Vó Nescy Fernandes da Silva, de 83 anos, fundadora da casa Lar Luz e Amor, em Higienópolis, traduz o sentimento de quem se dedica a instituições filantrópicas. Sem recursos próprios, entidades dependem de doações e contam com a solidariedade ao longo de todo o ano, principalmente na proximidade do Natal. É nesta época de amor ao próximo que a esperança aumenta.

Diariamente, a casa da Vó Nescy abre as portas para 20 crianças com idades entre 1 e 4 anos, das comunidades de Manguinhos, Jacaré e São Pedro. Criado como abrigo em 1992, após a senhora perder um filho e ser convidada a cuidar de crianças abandonadas, hoje funciona como casa de apoio para famílias carentes. O objetivo é crescer e atender ainda mais a comunidade.

— Dependo do amparo das pessoas, pois toda doação é bem-vinda, e sonho reabrir o berçário, onde já tive 16 bebês. As mães são muito jovens, precisam voltar a estudar e a trabalhar. Penso em fazer um trabalho voluntário de artesanato e informática para gerar renda para as mães — diz ela, que também borda e costura roupas e acessórios para o bazar da casa.

Há 25 anos a Casa da Criança Doutor Bezerra de Menezes, em Vila Isabel, atende crianças de 4 a 11 anos, em sua maioria moradoras do Morro dos Macacos. A instituição oferece 24 vagas para famílias carentes que comprovem trabalhar ou que necessitem do apoio para tal e não têm com quem deixar os filhos. Com as festas de fim de ano, a solidariedade ganha força, as doações aumentam e há ajuda para organizar as festas de Natal.

— Sofremos com a falta de dinheiro para pagar os funcionários ou realizar manutenção. A partir de outubro, a procura começa a aumentar, grupos doam brinquedos e até eletrodomésticos e fazem as festas. Para o ano que vem, rezamos por mais doações, que são fundamentais para nosso funcionamento — diz a administradora da casa, Solange Goulart.

Ao completarem 4 anos, meninas de comunidades do Grajaú cujos pais precisem se ausentar para trabalhar podem conseguir uma vaga na Morada da Esperança, que atende 31 crianças. Até os 13 anos, elas têm aulas de teatro e dança, reforço escolar e consultas dentárias, além de apoio psicológico.

— Comemoramos 40 anos em 2019, sempre vivendo de doação de alimentos e dinheiro para manutenção e pagamento de funcionários. Fazemos bingos e outros eventos para arrecadar fundos e convocamos os pais para nos ajudar. Este ano não foi fácil. Esperamos que as contribuições aumentem — comenta Lídia Freire, diretora de comunicação voluntária.

Aberta todos os dias nos últimos 19 anos, a Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa (Caccst), no Estácio, dá suporte a 147 crianças de 63 famílias de todo o Brasil, fornecendo abrigo durante o tratamento em hospitais, alimentação, remédios e transporte, tudo com contribuições solidárias. A sede, na Rua Santos Rodrigues 60, passa por obras de melhoria na cozinha e nos banheiros e quartos, também com recursos doados.

— Nossas necessidades são diárias. Recebemos solicitação de medicamentos e, o que é mais urgente, alimentos para as crianças. A campanha é o ano inteiro — conta a coordenadora da casa, Roberta Nóbrega, filha da fundadora, Sandra Nóbrega.

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