Solidariedade em tempos de pandemia: pescador doa peixes e padaria faz campanha

Rodrigo Berthone
Shelley de Botton, dona de padaria, com o padeiro-chefe, Anderson: campanha para doar pães

Peixe e pão que se multiplicam para saciar a fome de quem precisa. Não se trata de milagre. Foi empatia o que motivou duas iniciativas de pessoas que estão ajudando outras, atingidas em cheio pela quarentena imposta pelo coronavírus.

No caso dos pescados, o exemplo vem de Piratininga, em Niterói, onde mora Paulo Oberlander, autônomo de 46 anos que vive de consertar prancha e dar aula de stand-up padle. Sem renda fixa, ele, que mora com mulher e filha numa casa humilde, transforou o hobby da pescaria em sobrevivência, para alimentar a família. Mas isso não o impediu de oferecer ajuda. Parte dos peixes que pesca em Itaipu, ele oferece de graça a quem precisa:

— Tenho doando mais da metade do que pesco. Tiro uns cinco para mim e o resto eu dou — conta ele, que na quarta havia distribuído parte da pescaria para três pessoas. — Já fui muito ajudado na vida. Por que não ajudar também?

E na padaria artesanal O Pão, no Cosme Velho, foi também a preocupação com o próximo que levou a dona do negócio a iniciar uma campanha. Desde sábado, quem faz um pedido pelo telefone ou pelo site, recebe em casa o dobro, sem pagar a mais.

— A ideia é que o cliente doe a outra metade para alguém que precise — explica Shelley de Botton, dona da padaria.

E funcionou!

— No domingo, passei o dia todo no telefone. E estamos recebendo 50 pedidos por dia pelo site, onde antes quase não entrava pedido. Quarta-feira foi o primeiro dia de entrega e tive que dobrar a produção — diz Shelley, que fez parceria com uma ONG que distribuir os pães a mais para moradores de rua.