Solto, Lula deve 'furar a bolha' da esquerda em encontro com político

Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva speaks to supporters as his girlfriend Rosangela da Silva leans on his back after he was released from Federal Police headquarters where he was imprisoned on corruption charges in Curitiba, Brazil, Friday, Nov. 8, 2019. Da Silva walked out of the Curitiba prison Friday, less than a day after the Supreme Court ruled that a person can be imprisoned only after all the appeals have been exhausted. (AP Photo/Leo Correa)
Lula já comunicou a intenção de se encontrar com Maia, mas ainda não há data marcada. (Foto: AP Photo/Leo Correa)

Solto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já sabe quem será o primeiro político fora do espectro da esquerda com quem quer dialogar: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

A intenção do encontro partiu de Lula e foi comunicada a Maia por meio do deputado federal José Guimarães (PT-CE). Foi ele quem intermediou o contato e lançou a ideia a Maia, que teria aceitado. As informações são do jornalista Lauro Jardim, publicadas em sua coluna no Jornal O Globo.

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Apesar do “sim” do presidente da Casa, ainda não há uma data marcada para o encontro.

Após 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula foi solto no início de novembro, beneficiado por um novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo o qual a prisão de condenados somente deve ocorrer após o fim de todos os recursos.

Desde que saiu, só se encontrou com políticos de esquerda, majoritariamente do PT, como a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidenciável pelo partido nas eleições de 2018, Fernando Haddad.

O petista, porém, segue enquadrado na Lei da Ficha Limpa, impedido de disputar eleições, justamente pela condenação no caso tríplex.

Lula permaneceu preso de 7 abril de 2018 a 08 de novembro de 2019 em uma cela especial da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O local tinha 15 metros quadrados, com banheiro, e ficava isolado no último andar do prédio. Ele não teve contato com outros presos, que ficavam na carceragem, no primeiro andar.

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Lula foi condenado em primeira, segunda e terceira instâncias sob a acusação de aceitar reformas e a propriedade de um tríplex, em Guarujá, como propina paga pela empreiteira OAS em troca de contrato com a Petrobras, o que ele sempre negou.

A pena do ex-presidente foi definida pelo Superior Tribunal de Justiça em 8 anos, 10 meses e 20 dias, mas o caso ainda tem recursos pendentes nessa instância e, depois, pode ser remetido para o STF.

Nessa condenação, Lula já havia atingido em setembro a marca de um sexto de cumprimento da pena imposta pelo STJ. Por isso, mesmo antes da recente decisão do Supremo, ele já reunia condições para deixar o regime fechado de prisão.

Nas próxima semanas, porém, o Supremo pode anular todo esse processo do tríplex, sob o argumento de que o juiz responsável pela condenação, o hoje ministro Sergio Moro, não tinha a imparcialidade necessária para julgar o petista. Não há data marcada para que esse pedido da defesa do ex-presidente seja analisado.

Além do caso tríplex, Lula foi condenado em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem no caso do sítio de Atibaia (SP). O ex-presidente ainda é réu em outros processos na Justiça Federal em São Paulo, Curitiba e Brasília. Com exceção de um dos casos, relativo à Odebrecht no Paraná, as demais ações não têm perspectiva de serem sentenciadas em breve.

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