Ricardo Salles sugere 'monetizar' a Amazônia como solução para a floresta

Na visão do ministro, alguns crimes ambientais são cometidos porque as leis são rigorosas demais. (Foto: AP Photo/Arisson Marinho)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro do Meio Ambiente afirma que leis ambientais são muito restritivas para 'desenvolvimento' da região

  • Bolsonaro se reúne nesta sexta com ministros para discutir medidas para combater incêndios

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defende que a solução para a extração ilegal de madeira na Amazônia é “monetizar” a floresta. A ideia dele é abrir áreas para o desenvolvimento comercial. Ele afirmou, ainda, que as pessoas recorrem a atividades criminosas porque não têm espaço para agir dentro da lei.

“O fato é que leis e regulamentos que foram promulgados e usados nos últimos 10 ou 20 anos foram muito restritivos para o desenvolvimento das áreas da Amazônia. É por isso que as pessoas vão para as atividades ilegais, para as atividades criminosas, porque não têm espaço para fazer algo dentro da lei”, disse o ministro ao jornal britânico Financial Times.

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A afirmação foi dada em meio à crescente mobilização internacional sobre os incêndios na Amazônia. Salles diz também que é preciso reconhecer que existem “pessoas reais” vivendo na região, e que não se pode dizer aos 20 milhões de habitantes que não podem “fazer nada” na área.

“Isso não é razoável, nem sequer é viável. Queremos mostrar que, se os investimentos chegarem, e se distribuirmos esses investimentos para as pessoas que vivem lá, eles vão manter a floresta tropical, e não se envolver em mineração ilegal ou exploração madeireira”

REUNIÃO

Bolsonaro afirmou na manhã desta sexta que deve assinar uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para que o Exército auxilie no combate às queimadas na Amazônia.

"É uma tendência. A tendência é essa, a gente fecha agora de manhã", disse em rápida declaração ao deixar o Palácio da Alvorada. Questionado se pretende liberar recursos financeiros, o presidente disse que o problema é ter recursos para isso.

A declaração ocorre menos de 15 dias depois de países europeus, como Alemanha e Noruega, terem anunciado que suspenderiam recursos para o Fundo da Amazônia por descumprimento do Brasil na política de combate ao desmatamento.

Acuado em meio a uma repercussão global dos incêndios na região amazônica, Bolsonaro disse que seu governo fará tudo que estiver ao seu alcance.