Sommelier premiado, que cresceu na Rocinha, doa mil cestas básicas na comunidade

Natália Boere
·3 minuto de leitura

RIO — O bom filho a casa torna. Para Dionísio Chaves, voltar à Rocinha, neste momento em que os moradores da comunidade tanto precisam de ajuda, era quase uma obrigação. O bicampeão nacional do concurso da Associação Brasileira de Sommeliers, palestrante, consultor de vinhos do supermercado Zona Sul e ex-proprietário de diversos restaurantes na cidade cresceu na Rocinha. E tem muita gratidão por tudo o que viveu lá. Por isso, resolveu criar uma campanha, junto com o ex-presidente da Associação de Moradores da Rocinha Wallace Pereira. O movimento Rocinha Passa Fome doou 500 cestas básicas para famílias carentes na última quinta-feira e vai doar mais 500 nesta segunda-feira.

— Fui muito feliz na Rocinha e sei bem as dificuldades que eles enfrentam por lá. A comunidade fica tão perto de onde mora tanta gente tão afortunada... O que falta são pessoas entrarem na linha de frente e ajudarem — afirma Chaves, morador da Lagoa.

O movimento Rocinha Passa Fome foi ganhando corpo — e apoiadores: o fotógrafo e escritor Eurivaldo Neves Bezerra doou um quadro que retrata o Cristo Redentor abraçando a comunidade para ser leiloado à campanha, que Dionísio Chaves e Wallace Pereira pretendem manter após a Páscoa. Os lances poderão ser feitos virtualmente, por meio do site do Instituto Bees of Love (beesoflove.com.br). Doações de qualquer valor também podem ser feitas na conta-corrente da instituição, de número 0184413-0, agência 00887-7, do Bradesco. O CNPJ é 34.397.672/0001-02.

— Precisamos ajudar a transformar as vidas dessas pessoas. Fome é um assunto sério, e a pandemia do coronavírus fez com que este problema se agravasse nas favelas — afirma Georgia Buffara, fundadora do Instituto Bees of Love.

A Rocinha tem uma população estimada em 120 mil habitantes, mais do que 90% das cidades do país. As cestas são voltadas aos moradores das regiões mais carentes da comunidade: Roupa Suja, Vale Verde e Roça.

— O foco é ajudar quem está desempregado, passando mais necessidade — destaca Pereira.

Uma das beneficiadas foi a auxiliar de serviços gerais desempregada Andréia da Silva, que mora com cinco filhos e quatro netos em uma casa de dois quartos na Roupa Suja.

— Estamos sobrevivendo pela misericórdia divina. Os alimentos aqui em casa estão acabando, é muita gente para comer. Essa é a primeira cesta que recebemos este ano, vai fazer muita diferença. É muito gratificante ser ajudado por alguém. Que Deus permita que possamos receber essa ajuda todo mês. As coisas estão muito difíceis — diz Andréia.

As coisas também não foram fáceis para Chaves. Cearense, ele se mudou aos 2 anos com a família para o Rio. Após uma passagem por Rio das Pedras, em Jacarepaguá, eles se instalaram numa quitinete na Rocinha. Aos 8 anos, o menino começou a trabalhar para ajudar em casa: vendeu picolé na praia, montou uma banquinha de doces e teve barracas de roupas e sapatos. Ele conhece de perto a batalha de quem mora na comunidade:

— Lá há pessoas muito do bem, vencedoras, que merecem oportunidades.

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