'Somos uma dupla de vôlei de praia no dia a dia, um levanta e o outro corta', diz Luis Lobianco sobre casamento com Lúcio Zandonadi

Nelson Gobbi
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RIO — Um dos textos mais célebres de William Shakespeare, “Macbeth” carrega a fama de maldito, com toda uma mística de acidentes em encenações desde o século XVII. Este é o mote de “Macbeth 2020”, espetáculo em formato de teatro-cinema estrelado e dirigido por Luis Lobianco, que ficará disponível gratuitamentedestas sexta a 30 de maio no YouTube. Ao lado de parceiros da Cia Buraco Show, criada em 2012 no recém-fechado (e agora lendário) Buraco da Lacraia, na Lapa, como Simone Mazzer, Pedroca Monteiro, Sidnei Oliveira e Letícia Guimarães, Lobianco dá vida a tipos comuns nos bastidores teatrais. Numa estrutura de mockumentary (falso documentário), personagens como Rejane Galdán, diretora de teatro contemporâneo, a diva portuguesa Brigitte Fausta e o performer Su Weismann narram suas experiências com a “peça escocesa”, como o clássico é chamado por quem quer evitar o mau agouro de pronunciar o título.

Além do teatro, Lobianco vai retomando aos poucos as atividades na TV. Gravando dentro dos protocolos contra a Covid-19, faz participações em programas como “Vai que cola” (Multishow) e “Dani-se” (GNT). No cinema, planeja uma sequência de “Carlinhos e Carlão” (2019), comédia do Amazon Prime. Todos os projetos são compartilhados com o pianista Lúcio Zandonadi, com quem é casado há oito anos e responsável por criar as máscaras de crochê que Lobianco usou na peça on-line “Parece loucura mas há método” (2020), da Cia Armazém.

Como surgiu a ideia de “Macbeth 2020”? Você fez “Parece loucura mas há método”, que também partia do universo de Shakespeare.

Veio dessa época, fizemos uma longa pesquisa com os personagens de Shakespeare, reli muita coisa. Sempre tive vontade de fazer algo com “Macbeth”, mas nunca levei à frente. Agora, pensei: “O mundo está acabando mesmo, vou fazer do meu jeito”. Chamei o Rafael (Souza-Ribeiro) para escrever, trouxe os colegas da Buraco Show para o projeto.

E “Carlinhos e Carlão”, tem previsão para uma sequência?

Ele foi feito para o cinema, mas acabou atingindo um público muito legal no streaming. Recebo um grande retorno até hoje, isso abriu a possibilidade de uma parte 2 ou de virar série, mas sem nada definido agora.

O filme aborda a homofobia através da chave do humor. Isso ajuda a quebrar a resistência de parte do público?

Acho mais difícil falar de homofobia com uma argumentação acadêmica, tratar disso só através da militância. O humor gera empatia. Muita gente me disse que viu o filme com a família, que isso ajudou a normalizar aqueles sentimentos. Tenho o privilégio de entrar na casa das pessoas, então tento mostrar que a vida de um casal gay é como a de um casal hétero, com as mesmas alegrias e problemas.

E para você e o Lúcio, a rotina de convivência na quarentena trouxe algum peso?

Temos sorte , somos uma dupla de vôlei de praia no dia a dia, um levanta e o outro corta. A gente se divide nas coisas da casa, quando um está mais para baixo, o outro dá apoio. Temos personalidades fortes, o que poderia dar problema, mas respeitamos o espaço do outro.

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