Sob o signo de Saturno: e sob a asa da graúna

 

 

Brasília 18/4 – O juiz federal Sérgio Moro participa da cerimônia comemorativa ao Dia do Exército, no Quartel-General do Exército (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Pelo menos 230 políticos que têm ou tiveram mandato foram delatados na Lava Jato. Políticos estaduais delatados não perfazem  vinte almas.

 

Brasil atualmente tem 35 partidos, 28 deles com representantes eleitos na Câmara dos Deputados.

 

Apenas 36 dos deputados federais brasileiros eleitos em 2014 conseguiram os votos de urnas necessários para obter uma das 513 cadeiras da Câmara na atual legislatura. Isso quer dizer que só 7% dos parlamentares superaram o mínimo necessário de votos.  Os demais 477 acabam entrando beneficiados pelo sistema proporcional.

 

Pois bem: fazendo as contas, número igual à metade dos 477 eleitos pelo sistema proporcional estão fulminados pela Lava Jato.

 

Quem botar no lugar? Não temos quem botar.

O bruxo da abertura política, Golbery do Couto e Silva, em seu clássico ensaio “Sístoles e diástoles da política brasileira” já assinalava: a classe média recém-chegada a tal condição não perdoa nada ou ninguém. É a classe média que meteu um pé nos fundilhos de D. Pedro Segundo, quando instalada na condição de oficialato do exército. É a classe média que, no tenentismo, acabou com a política do café com leite na presidência. É, enfim, aquela classe média recém-instalada em sua condição que, referia Golbery, aproximava-se dos militares para fechar um poder civil por demais “esquerdizante”, (movimento de 64) ou buscava apoio na elite política para abrir o poder militar auto-referente,inconstitucional (abertura de 85).

 

Golbery apontava que a classe média sempre foi o parceiro fantasma dos ditos “golpes”, seja para abrir um poder encastelado (como Getúlio fez com o tenentismo, face a política do café com leite inaugurada por Campos Sales em 1905), seja para fechá-lo face um Jango (movimento de 1964).

O poder de fogo das classes médias passou para as mãos do MPF.

Astrólogos dizem que os lucros astronômicos dos corruptos chegaram ao fim em 2017 porque vivemos no ano de Saturno –planeta visto como um sisudo carimbador de leis, exigente ao osso a detalhes notariais, a papelada lícita e declarada.

 

Verdade ou não, o signo de Saturno nos trouxe um vácuo. Quem botar no lugar?

Que surja gente honesta, antes que algum aventureiro o faça. Corremos o risco de nosso futuro político ser mais negro que asa de graúna…