A sonda chinesa "Tianwen-1" foi inserida na órbita marciana

Ludovic EHRET
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Esta fotografia divulgada em 5 de fevereiro de 2021 pela CNSA mostra uma imagem de Marte capturada pela sonda chinesa de Marte Tianwen-1.

A sonda chinesa "Tianwen-1" foi inserida na órbita marciana nesta quarta-feira (10), uma conquista sem precedentes para o programa espacial de Pequim e o primeiro passo de uma missão que em poucos meses tentará pousar um pequeno robô.

A China está, portanto, seguindo o caminho dos programas espaciais dos Estados Unidos, União Soviética, Índia, Agência Espacial Europeia e Emirados Árabes Unidos, cuja espaçonave "Hope" entrou em órbita marciana na terça-feira.

"A frenagem (da sonda) foi bem-sucedida" além de "sua inserção na órbita marciana", disse a agência espacial chinesa (CNSA) em um comunicado nesta quarta-feira.

A "Tianwen-1" foi lançada em 23 de julho na Ilha de Hainan, no sul da China. Nesse mês também foram lançadas as missões dos Emirados Árabes Unidos e dos Estados Unidos, aproveitando a conjunção do final de 2020, ou seja, o momento em que, a cada 26 meses, os dois planetas ficam mais próximos um do outro.

Desde o seu lançamento, a sonda chinesa "percorreu uma distância de cerca de 475 milhões de km e atualmente está a cerca de 192 milhões de km da Terra", observou a CNSA.

- "Mais complexas" -

A missão foi batizada de "Tianwen-1" ("Perguntas ao Céu-1") em homenagem a um antigo poema chinês sobre astronomia.

A sonda tirou sua primeira foto de Marte na semana passada: uma imagem em preto e branco mostrando parte do relevo, desfiladeiros, uma cratera e uma planície.

"Tianwen-1" é composta de três elementos: um orbitador, um módulo de pouso (que pousaria em Marte) e um robô guiado por controle remoto. Com um peso superior a 200 kg, este último terá que analisar o solo e a atmosfera marcianos e tirar fotos.

“A descida a Marte está planejada entre maio e junho de 2021”, segundo a CNSA.

Ao contrário do lançamento em órbita na quarta-feira, as próximas fases da missão "serão muito mais complexas", disse Chen Lan, analista do site GoTaikonauts.com, especializado no programa espacial chinês.

“Os procedimentos e as operações são mais complicados, já que tanto a atmosfera quanto a superfície de Marte são muito pouco conhecidas, principalmente para os chineses”, explicou.

A China tentou enviar uma sonda a Marte em 2011, em uma missão conjunta com a Rússia. Mas o projeto falhou e Pequim decidiu continuar sua aventura sozinha.

Altamente ambiciosos, os chineses esperam realizar nessa primeira tentativa tudo o que os Estados Unidos realizaram em várias missões a Marte desde os anos 1960.

Ou seja, colocar uma sonda em órbita, pousar um módulo e usar um robô controlado remotamente. Conduzir essas três operações em uma missão inaugural a Marte seria algo inédito no mundo.

A China investe bilhões de dólares em seu programa espacial, para alcançar europeus, russos e americanos. O gigante asiático enviou seu primeiro astronauta ao espaço em 2003.

A China deu um salto gigante no início de 2019 ao pousar um dispositivo no outro lado da lua.

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