Nome de Sônia Guajajara é consenso para Ministério dos Povos Originários de Lula

Nome de Sônia Guajajara recebe apoio amplo para chefiar pasta de Povos Originários no governo Lula  - Foto: AP Photo/Andre Penner
Nome de Sônia Guajajara recebe apoio amplo para chefiar pasta de Povos Originários no governo Lula - Foto: AP Photo/Andre Penner
  • Nome de liderança indígena é apoiado por Janja, Randolfe e Marina Silva, além do movimento indígena

  • Guajajara foi alvo de perseguição no governo Bolsonaro e tem visibilidade internacional

  • Deputada eleita por SP, ela é uma das duas mulheres indígenas que conseguiram mandato

Eleita como deputada federal por São Paulo, Sonia Guajajara (PSol), é o nome mais cotado para assumir o Ministério dos Povos Originários prometido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha.

Segundo informações do Jornal O Globo, as lideranças indígenas já bateram o martelo sobre a indicação. Além disso, pesam os apoios do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), da socióloga Rosângela da Silva, esposa de Lula, além da ex-ministra e também deputada eleita, Marina Silva (Rede-SP).

Outras personalidades como Ailton Krenak também apoiam a escolha por Sônia, diz o jornal.

A indígena está participando da Cop-27, no Egito, conferência do clima que reúne lideranças mundiais. Segundo o O Globo, Sônia disse a assessores mais próximos que, caso haja convite formal, ela vai discuti-lo com o movimento indígena. Contudo, já está inclinada a aceitar o cargo. A deputada eleita é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

O próprio petista também participará da Cop-27 na próxima semana e só deve discutir o assunto depois de retornar.

Nesta terça-feira (8), a equipe de transição do governo foi oficializada com a criação de 31 grupos temáticos. Entre eles está um intitulado “Povos Originários”.

Durante o governo Bolsonaro, Sônia foi alvo de perseguição pela Funai, que acionou a Polícia Federal contra lideranças indígenas. Em maio deste ano, ela foi incluída na lista de 100 pessoas mais influentes da revista estadunidense Time, ao lado do cientista Túlio de Oliveira, um dos responsáveis pela identificação da variante Ômicron do vírus da Covid-19.

A atuação de Guajajara no movimento indígena e a visibilidade internacional dela são fatores que também influem pela escolha de seu nome para a nova pasta.

Neste ano, ela foi uma das duas mulheres indígenas eleitas para a Câmara dos Deputados. Além dela, também conseguiu o cargo Célia Xakriabá, por Minas Gerais.

Antes disso, apenas dois indígenas haviam sido eleitos para o cargo: Mário Juruna (PDT-RJ), em 1982, e Joênia Wapichana (Rede-RR), em 2018.

Joênia também foi mencionada para o cargo. Mas, segundo fonte ouvida pelo O Globo, quem tem mais chances é Sônia.