Sono atrasado, fragmentado ou oportunista? Estudo mostra os principais problemas para dormir surgidos na pandemia

·3 minuto de leitura

Um estudo feito por pesquisadores da Escola de Enfermagem e Inovação em Saúde Edson College da Universidade do Estado do Arizona analisou o impacto da pandemia de Covid-19 no sono de 991 pessoas com idade entre 18 e 80 anos, distribuidas por 79 países. Os resultados mostram um aumento nos sintomas de insônia, pior qualidade do sono e mudanças na hora de deitar.

Os pesquisadores queriam entender como os vários desafios apresentados pela pandemia, incluindo os estilos de vida e os meios de subsistência prejudicados, afetavam o sono da população mundial, além de classificar os tipos de noites mal-dormidas.

As mudanças no sono relatadas pelos entrevistados foram então agrupadas em quatro perfis: sono atrasado; sono perdido ou fragmentado; oportunistas de sono; desregulado e angustiado.

— No geral, os distúrbios do sono aumentaram, com 56,5% da nossa amostra relatando níveis clínicos de sintomas de insônia durante a pandemia — disse Megan Petrov, professora associada do Edson College e principal autora do estudo.

Dois terços dos participantes da pesquisa (aproximadamente 65%) experimentaram o padrão de sono atrasado, caracterizado por ir dormir mais tarde que de costume, mas sem alterar a duração do sono ou o tempo deitado na cama. Este perfil também inclui incidência aumentada de cochilos e pesadelos.

A segunda alteração do sono mais comum entre os entrevistados foi o sono perdido ou fragmentado, experienciado por 20% dos participantes. Este perfil é caracterizado por um sono que se inicia mais tarde e dura menos, como por exemplo, uma pessoa todos os dias precisa acordar às 6h e passou a dormir meia-noite em vez de ir deitar às 22h. Esse perfil presentou sono de qualidade inferior. Mulheres foram mais propensas a experimentar este tipo que homens.

Cerca de 10% dos entrevistados foi incluído no grupo dos "oportunistas do sono", que eram indivíduos que passaram a dormir mais durante a pandemia e apresentam mais tempo de sono que os outros perfis. No entanto, esse grupo relatou maiores mudanças nas suas rotinas diárias, estando associado a menor probabilidade de estar empregado e maior estresse familiar e discussões dentro de casa.

O padrão de sono "desregulado e angustiado" foi experimentado por 5% da amostra. Esse grupo teve a pior qualidade do sono, com cochilos e pesadelos intensos, e tiveram maior gravidade dos sintomas de insônia.

Segundo Petrov, estes quatro perfis mostram que as respostas à uma pandemia dependem do histórico de sono anterior, gênero e outros fatores domésticos. E estes fatores devem ser levados em consideração pelos profissionais de saúde na hora de indicar intervenções a serem feitas para melhorar a qualidade do sono.

— O sono é uma parte essencial da vida, assim como o ar, a água e a comida. Sua saúde e funcionamento são comprometidos quando a qualidade do ar que você respira, a água que bebe e os alimentos que ingere são ruins. Este também é o caso se o seu sono for de má qualidade e insuficiente em quantidade — disse Petrov em entrevista ao portal da Universidade do Estado do Arizona.

A especialista sugeriu que pessoas que estejam enfrentando problemas no sono passem a monitorá-lo. Isto pode ser feito através de um aplicativo de celular que analisa o sono.

— Muitas vezes, quando você presta atenção ao seu sono ao longo do tempo, pode descobrir algumas coisas mais fáceis de fazer para as mudanças que podem ser feitas (para melhorar a qualidade do sono).

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos