Sony demitirá 10.000 funcionários antes do final de março de 2013

Por Karyn Poupée
12 de abril de 2012
Consumidores observam produtos em loja da Sony em Nova York
Consumidores observam produtos em loja da Sony em Nova York

A gigante japonesa da eletrônica Sony anunciou nesta quinta-feira que cortará 10.000 postos de trabalho até março de 2013, com o objetivo de tentar reequilibrar as contas do grupo.

A empresa tem sido acuada pela acirrada competição estrangeira, que tem pesado em suas vendas de televisores e outros produtos eletrônicos, além dos impostos muito elevados nos Estados Unidos e uma taxa de câmbio desfavorável.

A Sony calculou as perdas anuais para 2011-2012 em 6,4 bilhões de dólares e pretende revisar suas atividades para reduzir custos fixos, anunciou em uma entrevista coletiva o presidente da empresa, Kazuo Hirai.

Esse é o quarto ano consecutivo que o grupo apresenta números negativos.

Ante este resultado, o grupo não tem mais opção além de revisar o perímetro de suas atividades e reduzir os custos fixos, disse Harai em coletiva de imprensa.

As demissões afetarão 6% do quadro de funcionários da Sony, de acordo com dados de 31 de março de 2011.

Até o momento, não foi divulgado nenhum detalhe sobre em quais filiais da empresa no globo serão feitos os cortes. Contudo, cerca da metade dos 10.000 postos deve corresponder à eliminação de subsidiárias, entre elas a de produtos químicos, nos quais trabalham cerca de 3.000 pessoas atualmente.

O custo da reestruturação está avaliado em 75 bilhões de ienes (US$ 925 milhões).

A Sony já havia sofrido duramente a crise financeira mundial de 2008-09, sacrificando na época mais de 16.000 empregos em todo o mundo, além de fechar fábricas para atribuir mais tarefas a subsidiárias.

"Minha missão é acertar a Sony", declarou Hirai, que destacou a necessidade de reforçar a parte central do grupo: os aparelhos eletrônicos voltados para o grande público, começando pelos televisores, que estão no vermelho há vários anos.

"Devemos reforçar nossas atividades centrais, ou seja, o que diz respeito à imagem digital para o grande público ou os profissionais, os jogos e os telefones celulares", disse.

Segundo o diretor, a Sony deve também "reestruturar o segmento dos televisores, deficitário há oito anos, para estar mais presente nos países fora do Japão, Europa e América do Norte, entrar em áreas promissoras como os aparelhos médicos e revisar sua carteira de produtos".

Apesar de ser deficitário, o segmento dos televisores continua sendo essencial para Hirai.

"A Sony descarta abandonar a venda de televisores, um aparelho central de entretenimento familiar", mas estão sendo estudadas várias opções, entre elas a de uma associação com outro fabricante.

Para reduzir seus custos fixos, a Sony cedeu sua participação de 50% na co-empresa de telas de cristal líquido (LCD), fundada com sua concorrente sul-coreana Samsung Electronics.