Soraya Thronicke e vice de Tebet indicaram mais de R$ 114 milhões do orçamento secreto

As senadoras Soraya Thronicke (foto) e Mara Gabrilli que estão na corrida presidencial participaram do esquema de envio de verbas sem transparência. REUTERS/Carla Carniel
As senadoras Soraya Thronicke (foto) e Mara Gabrilli que estão na corrida presidencial participaram do esquema de envio de verbas sem transparência. REUTERS/Carla Carniel

As senadoras Soraya Thronicke (União) e Mara Gabrilli (PSDB) estão na lista de parlamentares que fizeram algum uso do chamado orçamento secreto.

Nos últimos três anos, a candidata do União Brasil à Presidência foi beneficiada com R$ 95,2 milhões em emendas do orçamento. Já Mara, vice-candidata na chapa encabeçada por Simone Tebet (MDB), foi responsável por destinar R$ 19,2 milhões em emendas em 2020. As informações são do Jornal Estadão.

O orçamento secreto, revelado pelo Estadão, consiste na liberação de verbas federais para deputados e senadores sem transparência. Não é possível saber quais parlamentares o governo atendeu e quais foram os critérios para o pagamento. O esquema começou a funcionar em 2020, com R$ 20,1 bilhões, e chega a R$ 16,5 bilhões neste ano, período de eleições.

O orçamento secreto consiste na liberação de verbas federais para deputados e senadores sem esclarecimento sobre critérios no atendimento nem de quais parlamentares são atendidos. O esquema começou a funcionar em 2020 e já movimentou até R$ 16,5 bilhões somente em 2022. A situação foi revelada pelo jornal Estadão e se tornou um dos maiores escândalos da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O orçamento chegou a ser barrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, mas voltou a funcionar após reação do governo federal e do Congresso Nacional.

Durante o primeiro debate presidencial realizado no último domingo (28), Bolsonaro foi alvo dos adversários em função do orçamento secreto. Simone Tebet (MDB), aliada de Mara, classificou o esquema como “o maior escândalo da história do Brasil”. Já Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeram acabar com o esquema se assumirem a Presidência.

Cobrada sobre o orçamento nas redes sociais, Soraya afirmou que todas as emendas dela foram anunciadas e, portanto, não têm “nada de secretas”.

“Minhas emendas foram destinadas 100% ao meu Estado, e todas foram anunciadas. De secreto, NADA! Quem cobre os passos dos parlamentares com responsabilidade sabe disso. Para quem não, estou republicando. Meu MS está cansado de ser deixado para trás, e eu o ajudarei com tudo o que for possível”, escreveu Soraya no dia 13 de maio, após ser cobrada por seguidores sobre as verbas indicadas no orçamento secreto.

Soraya costumava ser apoiadora do presidente Jair Bolsonaro, mas rompeu com ele e disputa a sucessão presidencial neste ano. Procurada pelo veículo, a senadora afirmou que "não deixaria de levar recursos” para o Estado e que a verba foi importante para a saúde e educação, por exemplo.

“O que fiz foi dar transparência. Nenhuma das indicações que faço são secretas, dou publicidade a todos os recursos que destino para as políticas públicas do meu estado”, alegou.

Já Mara Gabrilli garantiu que suas emendas foram destinadas para saúde, educação e inclusão social em 2020, no auge da pandemia de covid-19. Ela ainda disse que defende a transparência de todos os recursos para que não sejam “secretos”.

Em nota ao veículo, a vice de Tebet diz que ela e a emedebista dividem o mesmo posicionamento sobre “a gravidade que é permitir as emendas de relator e seu mau uso político”. As informações sobre os repasses das senadoras foram obtidas por meio de documentos enviados por elas ao STF.