Sósia de Claudia Leitte, rainha da Tradição relembra abandono da mãe e volta por cima

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A bateria da escola de samba carioca Tradição vem muito bem representada no Carnaval de 2022. Escolhida a dedo pela presidência da agremiação, a cantora Lary Honaiser promete fazer jus ao título de Rainha na Sapucaí. Acostumada a assistir aos desfiles das escolas de samba desde pequena, quando sentava com a família para acompanhar o evento pela televisão, a passista promete muita beleza e samba no pé na volta da escola para a avenida.

“Me senti honrada e muito feliz com o convite. Sempre admirei e tenho como inspiração os sambistas que fizeram história no mundo do samba com suas músicas e performances", disse. Lary ao Yahoo.

Fã de sambistas como Monarco, Jovelina Pérola Negra, Cartola, Noel Rosa e outros artistas que escutava em uma vitrola ao lado do pai, Lary está emocionada por poder desfilar e fazer parte do Carnaval, que mostra tanto a cultura do nosso país.

“O samba de alguma forma sempre esteve presente na minha vida, desde de criança quando meus pais adotivos acordavam e colocavam para tocar na vitrola. Assistir às escolas de samba na televisão se tornava um grande evento com a família reunida e um momento de muita alegria. Me encantava toda aquela exibição cultural a céu aberto, com fantasias maravilhosas, o canto e a felicidade contagiante da comunidade que vibrava junto”.

Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação
Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação (Foto: Léo Cordeiro/Divulgação)

Abandonada na Cidade de Deus

Por trás das plumas, brilho e do sorriso de felicidade quando está à frente da bateria, Lary tem uma grande história de superação. Com poucos dias de vida, ela foi abandonada por sua mãe biológica em uma viela da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Após ser salva por uma vizinha, que escutou seu choro de fome, Lary foi deixada em um orfanato comunitário em Duque de Caxias, subúrbio da capital carioca. Sem referências de pai e mãe até os cinco anos de idade, a cantora relembra o momento em que percebeu que não tinha família.

“Não ter uma família e as primeiras referências de cuidadores como pai e mãe era uma coisa normal pra mim, até porque eu nunca havia tido outra experiência. Como era um orfanato comunitário de uma igreja evangélica, vivíamos com doações da igreja, roupas, comida, tudo. Lembro que o café da manhã era servido em fila indiana e cantarolávamos 'piuí abacaxi' até chegar a vez de pegar o suco, que era de beterraba com cenoura e laranja, amava. Os brinquedos doados eram usados por todas as crianças, eu era apegada em um boneca que a cabeça soltava do pescoço o dia inteiro, minha missão era deixá-la com a cabeça no lugar", diz com carinho.

Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação
Lary Honaiser é cantora e quer seguir na música (Foto: Léo Cordeiro/Divulgação)

Além das crianças que realmente não tinham pais e moravam no orfanato, Lary também convivia com coleguinhas que eram deixadas durante o dia para que os pais pudessem trabalhar, mas voltavam para a casa no final do dia. Foi ali que a cantora percebeu que era diferente dos demais.

"Ficava sozinha o resto do dia com mais 2 ou 3 crianças. Aquele momento me marcou muito, ali eu desejei pela primeira vez ter pais e também ter um lar. O orfanato me marcou em vários momentos. Quando era levada para a casa de possíveis pais adotivos, onde eu passava alguns dias, muitas vezes, depois que eu dormia, eles me devolviam para o orfanato e nunca mais os via. Eu sentia muita raiva quando acordava no orfanato de novo. Aquilo era doloroso e eu achava que era culpa minha ou que tinha feito algo de errado".

No entanto, a história de Lary começou a ganhar um novo contorno quando um casal sem filhos se apaixonou por ela no orfanato. Aos 5 anos de idade, a artista finalmente conheceu o amor de um lar e a felicidade de ter o carinho de pai e mãe.

“Fui comer carne, por exemplo, com 5 anos de idade, depois de adotada. Fui ter meu primeiro aniversário, Natal, Páscoa quando eu nem sabia que isso existia, depois da adoção também. Quando meus pais me adotaram, no começo eu ainda fiquei desconfiada, por medo de acordar novamente no orfanato. Chegando em casa, tive o primeiro contato com um cachorro, pensa num desespero, morri de medo, mas em 20 minutos já estava agarrada no pescoço dele e não larguei mais. Meus pais foram meus anjinhos, me acolheram, me deram a oportunidade de estudar em escolas maravilhosas, ganhei meu primeiro de muitos aniversários, enfim um lar e uma família”.

Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação
Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação (Foto: Léo Cordeiro/Divulgação)

Hoje com 36 anos e muita história em sua bagagem, Lary não gosta do lugar de vitimismo e entende as dificuldades que passou na vida. Mãe de Daniel, de cinco anos, ela transformou a tristeza em força para lutar por seus objetivos.

“Apesar do abandono materno, das noites em claro no orfanato esperando que alguém me adotasse, acredito que sou uma pessoa abençoada por Deus. Nunca imaginei que aquela menina que foi largada na Cidade de Deus com fome, desprotegida pudesse hoje estar dando entrevista, desfilando na Sapucaí, na maior festa a céu aberto do planeta e dividindo o palco com nomes como Mumuzinho, Grupo Bom Gosto e Arlindinho Cruz. E existe uma força interior que me diz que é só o começo, toda alegria que não tive vou transformar em música, vou espalhar amor e alegria através da minha voz”.

Claudinha é você?

Cantora de axé e vocalista do projeto Tu Sambas, ao lado dos compositores Léo Garniz e Zolli, Lary ganhou um apelido especial. Ela é chamada de "Claudinha" por amigos mais próximos. O motivo? A semelhança com a cantora Claudia Leitte.

Acostumada com as comparações, ela relembra que passou por uma situação engraçada com um fã de Claudia. “Já me confundiram ao ponto de pedirem pra tirar foto”, disse rindo. “Acho que isso se deu pelo fato de eu também cantar axé. Já até me acostumei com o apelido de Claudinha dado carinhosamente por meus amigos. Nunca havia prestado atenção que eu era parecida assim com ela, mas depois de tantos comentários comecei a me identificar em algumas fotos. Essa comparação pra mim é bem gratificante, gosto da forma que ela se posiciona, dos figurinos, das suas composições e da energia dela no palco. Fico honrada e feliz", comenta.

Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação
Rainha da Tradição, Lary Honaiser relembra abandono materno e superação (Foto: Léo Cordeiro/Divulgação)

Apesar de já ter corrido muito atrás do trio em vários shows, Lary diz que ainda não teve a oportunidade de encontrar a cantora pessoalmente, mas já sabe o que vai dizer quando esse encontro acontecer.

"Com certeza vai ser: ‘Bora cantar juntas e colocar esse povo pra pular?', com uma leve tremedeira e com o coração acelerado (risos). Também vou agradecer por ter feito tanto pela música baiana, que é onde minha energia se conecta muito".

Feliz com o lançamento de seu primeiro single, “Deixa o Povo Falar“, um pagodinho romântico como ela mesmo define, Lary sonha alto na música.

"Quero conquistar o meu espaço com meu trabalho, com a música, fazer o que mais amo que é cantar e levar alegria para as pessoas. Ter essa troca com o público é o que faz meu coração bater mais forte, ter voz pra ajudar as pessoas ao meu redor e aos que precisam de alguma forma. Conquistar as minhas coisas e dar o melhor que eu puder dar para o meu filho de 5 aninhos, meu eterno bebezão e o melhor presente que Deus me enviou".

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