Sou contra 'lockdown' aqui, diz prefeito de cidade com maior alta da Covid-19 em SP

PAULO BATISTELLA
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Questionado sobre o risco do sistema de saúde local, Bugalho diz que não há risco de colapso até o momento (Foto: Divulgação)
Questionado sobre o risco do sistema de saúde local, Bugalho diz que não há risco de colapso até o momento (Foto: Divulgação)

PRESIDENTE PRUDENTE, SP (FOLHAPRESS) - A rotina no calçadão do centro de Presidente Prudente (a 556 km de SP), com pequenas aglomerações na porta de lojas e presença de idosos, seguia a mesma nesta quinta-feira (21) que em semanas anteriores, mesmo sendo a cidade a sede da região que teve o maior avanço do novo coronavírus em São Paulo, segundo o governo estadual.

Entre 30 de abril e a última segunda (18), o Oeste Paulista registrou um aumento de 379% no número de casos de Covid-19. A maior cidade da região saltou, do início do mês até agora, de 28 para 102 confirmações (e de três para oito óbitos), o que, contudo, não inibiu a circulação de algumas pessoas.

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Apesar do quadro de pouco isolamento, o prefeito Nelson Bugalho (PSDB) diz ser contrário à adoção do "lockdown" na cidade, medida que chegou a ser cogitada pelo colega de partido, o governador João Doria (PSDB), para frear o avanço da pandemia pela baixa adesão à quarentena.

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Segundo o prefeito, os números da Covid-19 ainda são modestos se comparados à população, de 228 mil habitantes. "Ainda não sou favorável, não neste momento. Apesar da baixa taxa de isolamento e de ter ocorrido esse boom, nós não estamos com uma situação parecida a de outras regiões do estado em relação a número de óbitos e de casos. Comparativamente, a nossa situação não é a pior."

Na quarta (20), a taxa de isolamento em Prudente era de 40%, abaixo da média do estado, de 49%.

Trabalhadores essenciais, como varredores, contam que o movimento não cessou no calçadão, ponto central do comércio de rua. "Tem cada dia mais gente e muitos que vêm só a passeio", diz a gari Ana Silva, 53.

Na principal área verde da cidade, o Parque do Povo é local de concentração de pessoas para práticas esportivas, principalmente no fim da tarde.

Bugalho afirma ainda ser favorável a uma reabertura do comércio local com restrições. Nesta semana, ele articulou com prefeitos da região um plano para retomada e chegou a receber em seu gabinete funcionários da loja Havan, que protestaram em frente à sede de prefeitura pela flexibilização.

"A indústria não é a base da economia na nossa região, mas o comércio e a prestação de serviços. Então a economia das cidades da nossa região está agonizando. É uma região pobre e que está empobrecendo ainda mais. Nós temos que ponderar esses aspectos."

O maior problema da quarentena, para a prefeitura, é a lotação nos ônibus, com frota reduzida, em horários de pico. Na quarta, vereadores fiscalizaram o transporte público com visita in loco e encaminharam um relatório ao Ministério Público, que tem atuado no caso.

Após ação do Ministério Público Estadual, a Justiça determinou nesta quinta-feira (21), que a prefeitura adote medidas sanitárias para conter aglomeração no transporte. E também exigiu que funcione ao menos 50% da frota, sob pena de multa de R$ 100 mil à prefeitura e à concessionária do serviço, Prudente Urbano.

A empresa alega dificuldade de manter a operação normalmente pela queda na arrecadação -43 funcionários foram demitidos, segundo a prefeitura. O município propôs isentar temporariamente a concessionária da cobrança de ISS (Imposto Sobre Serviços), o que foi vetado pela Câmara.

O prefeito negocia agora com os vereadores nova proposta, que prevê aval para eventualmente adiantar feriados municipais, o que já foi adotado em São Paulo para forçar o isolamento social.

Questionado sobre o risco do sistema de saúde local, ao concordar em reabertura do comércio com restrições, Bugalho diz que não há risco de colapso até o momento. "Nós fazemos um controle diário dos leitos disponíveis na nossa cidade e temos disponibilidade de UTIs e de enfermaria." Nem prefeitura nem governo estadual informaram à reportagem a quantidade de leitos.

Caso se agrave o quadro, a intenção do município é que se criem leitos de UTI em parte da estrutura do Hospital Regional do Câncer, para que atenda pacientes da Covid-19.

Hoje, a cidade conta com o HR (Hospital Regional) como referência para casos de alta complexidade relacionados ao coronavírus -a instituição precisa atender, no entanto, outros 44 municípios da região além de Prudente.

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