'Sou uma testemunha viva da política criminosa dessa corporação', relata paciente da Prevent Senior; assista

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BRASÍLIA — A fala inicial do paciente Tadeu Frederico Andrade, cliente da Prevent Senior que recebeu o "kit covid", durante a sessão da CPI da Covid de hoje, foi marcada pela emoção. Diagnósticado com Covid-19, Tadeu Andrade disse ter ficado 120 dias internado em uma unidade da Prevent Senior, e afirmou ter tido pneumonia bacteriana, ter feito ínumeras hemodiálises, ter tido arritmia cardíaca e outras intercorrências. Com a voz embargada, o paciente disse se considerar um "sobrevivente", graças a sua família e alguns profissionais de saúde, e se disse uma "testemunha viva da política criminosa dessa corporação e de seus dirigentes".

O paciente relatou uma reunião entre os médicos e sua família, que não aceitou o tratamento proposto, ameaçando ir à Justiça e à imprensa.

— Em pouco dias eu estaria vindo a óbito. E hoje estou aqui - disse Tadeu, começando a chorar.

— Teria sido assassinato — interveio um senador.

— Sim, senador.

Andrade apontou também o papel de um médico contratado pela família para mantê-lo vivo:

— Minha família, desconfiada da estrutura da Prevent Senior, contratou um médico particular para fazer a fiscalização dos procedimentos internos. Minha família não confiava mais na Prevent Senior. Esse médico foi um verdadeiro fiscal. Acho que estou vivo também por causa dele.

O paciente afirmou que tomou flutamida, remédio para câncer de próstata, sem autorização da família. Senadores criticaram isso.

— Fez esse teste com ele, usando flutamida. Quer dizer, fizeram todo tipo de teste sem nenhum estudo clínico correto — disse Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.

Questionado por Renan, Tadeu Andrade disse não ter sido ameaçado pela Prevent Senior após a denúncia. Disse também que continua usando o plano de saúde, uma vez que precisa dele em razão do acompanhamento do estado de saúde que continua fazendo. Tadeu Andrade firmou ter conseguido acesso a seus prontuários após muito trabalho e insistência com a Prevent Senior.

Tadeu de Andrade foi paciente da Prevent Senior e, após se infectar com o novo coronavírus, recebeu o chamado "kit covid", com remédios comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Após tomá-los seguindo a prescrição médica, o quadro de Andrade piorou e ele precisou ser internado. Segundo o paciente, após um mês na UTI, a equipe da Prevent queria tirá-lo da internação para reduzir custos e colocá-lo sob cuidados paliativos — o que foi recusado por sua família. Após se recuperar, Andrade denunciou o ocorrido à comissão e ao Ministério Público de São Paulo.

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