SP: 500 mil alunos que não entregaram atividades podem reprovar

Suzana Correa
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Foto: Edilson Dantas/Agência O GLOBO
Foto: Edilson Dantas/Agência O GLOBO

A Secretaria de Educação do estado de São Paulo divulgou nesta quarta-feira que 15% dos alunos da rede (cerca de 500 mil estudantes) não entregaram nenhuma atividade durante o período de ensino remoto e podem reprovar, caso não o façam até janeiro. Para os demais, valerá a aprovação continuada: quem tem feito o mínimo de atividades propostas pela escola seguirá na formação escolar e deve cobrir deficiências no aprendizado nas próximas séries.


— Não estamos falando de aprovação automática para todos. Tem que ter feito o mínimo. Aí, mesmo que não tenha o aprendizado ideal, poderá prosseguir e trabalharemos pela recuperação desses alunos. Agora, 15% não entregaram nenhuma atividade durante o ano. Esses tem hoje, sim, probabilidade maior de retenção, caso não entreguem as atividades para a escola — afirmou Rossieli Soares, secretário de Educação do Estado.

Alunos que não tem participado das atividades tem ainda o final deste ano e um período de recuperação, previsto para janeiro, para fazê-lo.

Questionado sobre as motivações para a falta de participação de parte dos estudantes, o secretário atribuiu o cenário à dificuldade de contato com alunos e famílias, entraves para o acesso ao ensino remoto e “desinteresse” dos mesmos.

Rossieli ressaltou, porém, que professores e escolas estão orientados a promover uma “busca ativa” por alunos que não estão participando das atividades. Também alegou que o estado tem buscado oferecer opções para aqueles que têm pouco ou nenhum acesso à internet, como retirada de material escolar impresso e envio de mensagens via celular para desestimular a evasão e abandono. Hoje, alunos pobres têm 5 vezes mais chances de abandonar o ensino do que estudantes de maior renda, afirmou a secretaria.

A orientação atual é que as escolas identifiquem notas e frequências dos alunos do primeiro ao terceiro bimestre deste ano e ofereçam neste bimestre, o último, novas oportunidades para que os alunos que retornam às aulas possam entregar atividades atrasadas, por exemplo.

Novas regras, datas e avaliações obrigatórias

Um parecer vinculativo e obrigatório para escolas estaduais, homologado e publicado no Diário Oficial de hoje, determina que os anos anos letivos de 2020 e 2021 serão considerados como um único “ciclo de aprendizagem”, com quatro bimestres cada. Assim, os oito bimestres serão levados em conta na avaliação da aprendizagem dos alunos ao final de 2021.

Atualmente, as aulas presenciais foram retomadas em parte da rede estadual. Naquelas em que o ensino remoto permanece, famílias podem retirar kits impressos de atividades escolares e os professores devem solicitar a entrega de atividades essenciais, que entrarão na cota mínima estabelecida por cada escola para aprovação. O objetivo é estimular continuidade e engajamento dos estudos.

Os Conselhos de Classe, órgãos internos de deliberação de cada escola, devem avaliar caso a caso a realidade dos alunos que não entregaram nenhuma atividade e decidir pela reprovação ou não.

Em dezembro e fevereiro haverá avaliação presencial obrigatória para “identificação de aprendizagens essenciais não desenvolvidas”, diz a secretaria, com medidas de segurança para prevenção de transmissão da Covid-19.

Um período de recuperação será realizado em janeiro. Planos de reforço e recuperação serão individualizados (ou em pequenos grupos) e devem focar no que é essencial e não foi aprendido.

A Secretaria sugere atenção especial aos pequenos estudantes que concluem o segundo ano do fundamental em 2020 e estão em período de alfabetização. Quem conclui o Médio agora poderá fazer um quarto ano, opcional.

As aulas no próximo ano estão previstas para serem retomadas em 1 de fevereiro, de modo presencial.