SP critica decisão do Ministério da Saúde de suspender vacinação de jovens: “Causa apreensão”

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(L-R) Butantan Institute director Dimas Covas, Sao Paulo Governor Joao Doria and Sao Paulo Health Secretary Jean Gorinchteyn, present the ButanVac vaccine candidate against Covid-19, at the Butantan Institute, in Sao Paulo, Brazil, on March 26, 2021. - The Brazilian ButanVac vaccine will ask for authorization from the National Health Surveillance Agency (Anvisa) to start clinical trials of phases 1 and 2 in humans, involving 1,8 thousand volunteers. Research started on March 26, 2020 and the production goal is to start on May and to deliver 40 million doses starting on July, 2021. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Estado de São Paulo está vacinando jovens de 12 a 17 anos desde o dia 18 de agosto (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
  • Governo de São Paulo criticou recomendação do Ministério da Saúde de suspender vacinação de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades

  • Segundo o estado, decisão geral insegurança e apreensão

  • Em São Paulo, 72% dos jovens de 12 a 17 anos já receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19

O governo de São Paulo lamentou a decisão do Ministério da Saúde de recomendar a suspensão da vacinação de jovens de 12 a 17 anos sem comorbidades contra a covid-19. Segundo o estado, a decisão gera insegurança e crua apreensão nos adolescentes e nas famílias.

“A vacinação nessa faixa etária já é realizada nos EUA, Chile, Canadá, Israel, França, Itália, dentre outras nações. A medida cria insegurança e causa apreensão em milhões de adolescentes e famílias que esperam ver os seus filhos imunizados, além de professores que convivem com eles”, afirmam.

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Na avaliação do governo paulista, recomendar a suspensão da imunização deste grupo é “menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público”. A Secretaria Estadual da Saúde lembra ainda que, no estado, três a cada dez adolescentes vítimas da covid-19 não estavam vacinados.

Outro ponto levantado pelo governo de São Paulo é a retomada de atividades escolares. “Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais.”

Até o momento, o Plano Estadual de Imunização já vacinou 72% do público alvo entre 12 e 17 anos com a primeira dose. A vacinação deste grupo começou em 18 de agosto no estado. 

“Infelizmente, e mais uma vez, as diretrizes do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde chegaram com atraso e descompassadas com a realidade dos estados, que em sua maioria já estão com a vacinação em curso.”

Capital mantém vacinação 

Após a nota do Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo afirmou que manterá a imunização dos jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades.  

"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informa que até esta quarta-feira (15) foram aplicadas 712.499 primeiras doses em adolescentes de 12 a 17 anos de idade, representando 84,4% de cobertura vacinal deste público, estimado em 844.073 pessoas. Restam, portanto, cerca de 15% para atingir a totalidade da cobertura vacinal desse grupo. Assim sendo, não interromperá a imunização com doses de Pfizer para adolescentes sem comorbidade na capital."

Além disso, a pasta ainda lembrou que a Organização Mundial da Saúde recomenda a imunização do grupo. "A secretaria reforça que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação dos adolescentes acima de 12 anos com o imunizante da Pfizer, com indicação e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A SMS entende que a restrição imposta pelo governo federal é apenas por questão logística, pois, trata-se de um imunizante eficaz e seguro previamente autorizado."

"As doses destinadas à imunização desse grupo estão reservadas pelo município e seu uso não compromete a vacinação dos demais públicos elegíveis. Em relação à aplicação da segunda dose (D2) nos adolescentes, a pasta adianta que vai seguir normalmente", diz a Secretaria em nota. 

Entenda a determinação do Ministério da Saúde

Na noite da última quarta-feira (15), o Ministério de Saúde divulgou uma nota recomendado a suspensão da vacinação de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades contra a covid-19. Segundo a pasta, houve uma “recomendação para a imunização” deste grupo, feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 – mesmo com a aprovação pela Anvisa do uso da Pfizer para esta faixa etária.

Segundo a pasta, devem continuar a ser imunizados jovens entre 12 e 17 anos com comorbidades, com deficiência permanente ou jovens provados de liberdade.

“A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na Nota Técnica nº 40/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, revisou a recomendação para imunização contra COVID-19 em adolescentes de 12 a 17 anos, restringindo o seu emprego somente aos adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech)”, diz o Ministério da Saúde.

O documento foi assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid.

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