SP fará testes rápidos para novo coronavírus em presos e moradores de abrigos, diz governo

PATRÍCIA PASQUINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo de São Paulo iniciará até o dia 15 de maio testes rápidos em alguns grupos populacionais para identificar o novo coronavírus.

Entre os grupos que serão alvo da testagem rápida estão funcionários da Secretaria de Segurança Pública, da Saúde, pessoas privadas de liberdade (do sistema prisional e da Fundação Casa), doadores de sangue e pessoas que estão em abrigos, casas de repousos e comunidades terapêuticas, independentemente de terem tido contato com infectados.

A testagem será ampliada e dividida em fases, segundo Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan. Na primeira, cerca de um milhão de exames serão usados, dos quais 500 mil estão sendo comprados pelo Instituto Butantan e os demais vieram do Ministério da Saúde.

O teste rápido de IgM/IgG, que identifica em aproximadamente 15 minutos a presença de anticorpos para o vírus no sangue, será feito em pessoas que tiveram contato com pacientes positivos para Covid-19, mas que não apresentaram sintomas por mais de 14 dias; e em pessoas que tenham manifestado sinais leves da doença, após 14 dias do fim dos sintomas.

Um projeto-piloto foi iniciado com a Polícia Militar na capital paulista. No Hospital da Polícia Militar, estão sendo testados 35 mil profissionais e seus familiares, totalizando 145 mil pessoas. "Aqui já teremos uma fotografia muito precisa da epidemia. Vamos saber a transmissibilidade e como a doença se disseminou", explica Dimas Covas.

Nas fases seguintes, será contemplado quem teve contato com pacientes internados e os assintomáticos identificados pela vigilância epidemiológica. Se tiverem sintomas, serão testados pelo RT-PCR; com mais de 14 dias, pelo teste rápido.

O protocolo para pessoas que tiveram contato com pacientes infectados pelo novo coronavírus e que estão sem sintomas há menos de 14 dias prevê a realização do exame do tipo RT-PCR. O mesmo teste será indicado a pacientes com sintomas, mesmo leves.

Atualmente, são testados por RT-PCR -que identifica o vírus e estabelece o diagnóstico- os pacientes internados, profissionais de saúde e os mortos.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, Covas afirmou que São Paulo está no início da curva de ascensão da Covid-19, na fase de aceleração da pandemia.

"Estamos ampliando a estratégia de testagem da população e esperamos com isso ter uma melhor dimensão da curva de infecções no Estado de São Paulo. Isso é fundamental para a tomada de decisões no enfrentamento da pandemia", afirma Covas.

A Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de Coronavírus no Estado foi criada no início de abril, com 38 laboratórios habilitados.

Atualmente, são 42, com capacidade para até 5.000 exames por dia. Em maio, será ampliada para 8.000 processamentos diários de testes.

Com isso, São Paulo terá capacidade de realizar cerca de 27 mil exames de RT-PCR por milhão de habitantes, superior a países como Estados Unidos, França e Reino Unido, por exemplo. Hoje, realiza 1.500.