SP recua de decisão que levou Samu a atestar óbitos de Covid-19 em residências

Silvia Amorim
Socorristas do Samu preparam cadáver de mulher idosa que morreu com suspeita de estar contaminada pelo novo coronavírus

SÃO PAULO - O governo de São Paulo recuou da medida que obrigou equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a atestarem óbitos ocorridos em casa suspeitos de Covid-19. A tarefa não foi bem recebida por funcionários do órgão que apontaram, entre outras razões, despreparo para avaliar as causas das mortes.

Um informativo tirando essa atribuição dos médicos e enfermeiros do Samu foi publicado nesta terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. "As ambulâncias de suporte avançado de vida do Samu a partir desta data serão exclusivas para o atendimento a urgência e emergência e colaboração na transferência de pacientes de Covid-19", diz a nova norma.

O GLOBO mostrou neste domingo um aumento das mortes pela doença em residências. A determinação para que o Samu atestasse óbitos em domicílio aconteceu em 20 de março. A prefeitura discordou da medida e iniciou negociação com o estado para revogá-la.

Para substituir as equipes do Samu, a prefeitura está em processo de contratação de equipes de médicos e enfermeiros que farão o atendimento domiciliar para atestar casos de óbito.

- Vamos contratar equipes de médicos e enfermeiros que vão só tratar dos óbitos em residências. Serão 12 equipes na cidade que vão fazer os atendimentos na cidade. Já temos seis equipes contratadas - disse Aparecido.

Ao Globo uma enfermeira do Samu relatou as dificuldades que as equipes do serviço de urgência vinham enfrentando nesses atendimentos.

— O que está acontecendo é que nossos melhores recursos, nossas equipes mais bem preparadas para atender os casos mais graves estão sendo deslocadas para atender os mortos enquanto várias pessoas vivas estão sem atendimento, não faz sentido — disse.

A prefeitura da capital paulistana, epicentro da pandemia, também revisou uma orientação anterior a essa do Samu que dispensava pacientes com sintomas leves da Covid-19 das unidades hospitalares para acompanhamento em casa da doença.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, os pacientes leves têm sido monitorados por agentes comunitários de saúde em casa. A orientação agora é internar em um hospital de campanha se os sintomas se piorarem nesse período.