Escolas em SP poderão reabrir em 8 de setembro para atividades extras; interior melhora de fase

Luiz Anversa
·4 minuto de leitura
A Federal District's employee disinfects a public school as a measure against the spread of the new coronavirus in Brasilia, on August 5, 2020. - The local government has begun preparations for the safe reopening of schools in early September, as restrictions related to the COVID-19 lockdown are eased. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
(Foto: Getty Images)

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira, em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, que as aulas presenciais no estado serão retomadas em 7 de outubro, tanto nas unidades públicas como nas particulares. “A data foi adiada por recomendação do Centro de Contingência do Coronavírus para garantir uma margem de segurança ainda maior para as crianças, adolescentes, professores, gestores e profissionais da rede pública e privada de ensino e, obviamente, para os seus familiares", disse.

Doria também disse que as instituições poderão reabrir em 8 de setembro para aulas de reforço e outras atividades opcionais. “Essa discussão precisará ser feita entre escolas, pais e alunos. Além disso, é claro, que o protocolo sanitário deverá ser cumprido de forma rígida e deve se respeitar o limite de alunos por sala”, disse. Essa retomada deve ficar em 35% para educação infantil e fundamental nos anos iniciais e 20% para Ensino Médio e anos finais.

Leia também

Essa reabertura em setembro só será possível em escolas de regiões que estão na fase amarela do Plano São Paulo há pelo menos 28 dias.

Os estabelecimentos estão fechados desde 23 de março por causa da quarentena imposta para frear o avanço do novo coronavírus.

Apesar da pressão de escolas particulares para a retomada das aulas, pais, professores e até mesmo prefeitos não têm segurança no retorno. Prefeitos de municípios do Grande ABC também já anunciaram que as escolas não serão reabertas neste ano.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na noite de quarta (5), um projeto de lei que define medidas sobre a volta às aulas na capital e delega aos pais ou responsáveis legais a decisão sobre o comparecimento às aulas presenciais durante a pandemia.

A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, havia adiantado que, na capital, era improvável a retomada em setembro, o que depois voltou a ser dito pelo secretário Bruno Caetano. Nova sondagem da Secretaria Municipal da Educação indicou que 80% dos pais de alunos da rede municipal temem o retorno dos filhos às aulas presenciais.

Inicialmente, o retorno às aulas só seria possível se todo o estado estivesse na fase amarela do plano de flexibilização da economia há 28 dias. Tal condição acabou alterada em decreto do governo. A regra atual determina que 80% da população do estado esteja há 14 dias na fase amarela e 14 dias com 100% da população em tal fase.

Embora o governo defenda que o estado tenha atingido valor superior ao estabelecido, com 86% da população na fase amarela (ler mais abaixo), decidiu-se seguir a recomendação do comitê de saúde e adiar as aulas presenciais para outubro

Interior na fase amarela

Doria também anunciou que nove regiões do interior de São Paulo entraram na fase amarela do Plano São Paulo. As regiões de Araçatuba, Marília, Bauru, Sorocaba, Taubaté, Campinas, e São João da Boa Vista passaram da fase 2 (laranja) para a fase 3 (amarela).

Já as regiões de Piracicaba e Ribeirão Preto migraram direto da fase 1 (vermelha), em que apenas serviços essenciais são permitidos para a fase amarela, em que restaurantes e bares podem voltar a funcionar, por exemplo.

Assim, 15 milhões de pessoas entraram numa nova fase da quarentena paulista.

Com isso, 86% da população paulista está nesse estágio do plano de retomada das atividades.

O governador lembrou que há duas semanas o estado registra queda de óbitos e internações em decorrência da covid-19. “Estamos no caminho certo", disse o tucano.

Vacinas e Bolsonaro

Doria elogiou o presidente Jair Bolsonaro por assinar a MP que libera quase R$ 2 bilhões para a produção da vacina de Oxford contra o novo coronavírus, mas criticou algumas posturas do chefe do Executivo. “Nossa competição é pela vida. Somos favoráveis a todas as vacinas que forem comprovadas como efetivas. Não era com a cloroquina que poderíamos salvar vidas. Tudo que não precisamos é politizar a saúde no Brasil. Em São Paulo, não queremos ‘tocar’ a vida e sim salvar vidas”, falou. “Ele tem sido um fracasso na luta contra o coronavírus. Espero que ele se porte como um chefe de Estado nesse momento”, disparou o tucano.

Con informações da Folha