SP tem alta de 12% no número de mortes por Covid-19 em 24 h; total de óbitos é de 2.049

PATRÍCIA PASQUINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O estado de São Paulo registrou nesta terça-feira (28) um salto de 12% no número de mortes e 11% no de casos de Covid-19 nas últimas 24 horas. O número é recorde num intervalo de 24 horas no estado.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram confirmados 224 óbitos e 2.300 casos nesse período. O total é de 2.049 mortes e 24.041 casos da doença.

O secretário José Henrique Germann explicou que, como não há fila reprimida de testagem, os números referem-se a novos pacientes.

"Esse número de óbitos é muito importante e o mais relevante no estado de São Paulo desde o início da pandemia", afirmou David Uip, coordenador do Centro de Contingência de Coronavírus.

Uip reiterou que um isolamento social de mais de 50% causa impacto na curva de infectados, doentes e óbitos. Nesta segunda (27), a taxa de distanciamento social ficou em 48% na região metropolitana de SP —considerada alerta amarelo. O aceitável é 60% e ideal, 70%.

Entre os mortos, estão 1.189 homens e 860 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais (74,7%).

Os fatores de risco representam 82,3% do total de mortes. Os principais associados são as cardiopatias (60,1%) e o diabetes (43,6%). As doenças renais ultrapassaram as do pulmão no ranking —12,1% e 11,6%, respectivamente.

O aumento no número de casos colabora para a pressão dos hospitais do SUS. Atualmente, o estado tem 61,6% das UTIs ocupadas, com 1.437 confirmados com Covid-19 —nesta segunda-feira, o índice era de 59,8%, com 3.106 pessoas em leitos de terapia intensiva. Em leitos de enfermaria, estão 1.800 pessoas.

Em leitos de enfermaria, a taxa de ocupação no estado é de 44,5%. Na Grande SP, a situação é pior. A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 81% e de enfermaria 70%.

Na capital paulista, há 1.337 mortes e 15.213 casos de Covid-19.

A taxa de ocupação de leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19 está em 75%. Até esta terça-feira, 592 pessoas receberam alta após pelos hospitais municipais.

Nos hospitais de campanha Anhembi (zona norte) e Pacaembu (zona oeste), 541 pessoas permanecem internadas com Covid-19. Está prevista a transferência de outros 69 pacientes, sendo 51 para o Anhembi e 18 para o Pacaembu.

DOENÇA AVANÇA PELO ESTADO DE SP

A doença também se espalhou para o interior do estado —728 vítimas fatais e 1/3 dos casos ocorreram no interior, litoral e Grande São Paulo. Dos 24.041 confirmados com Covid-19, 8.644 moravam fora da capital paulista. A doença já atingiu 305 cidades e em 141 municípios há pelo menos um óbito.

"Há a sensação que a pandemia não chegou por lá. "A pandemia no interior está atrasada em duas semanas, em relação à região metropolitana de SP e isto se deve às medidas de confinamento e afastamento social adotadas no estado", diz Uip.

De acordo com o estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) coordenado pelo professor Carlos Magno Fortaleza, membro do Centro de Contingência do Coronavírus, as cidades consideradas polos regionais, como Campinas, Bauru e São José do Rio Preto apresentam cinco vezes mais chances de disseminação do vírus do que outras menores, com baixa densidade populacional e menor conectividade com municípios de sua região.

Fortaleza pediu rigor e continuidade com o isolamento social para impedir a disseminação da doença para as menores cidades paulistas.

Segundo o levantamento, a rota de disseminação do vírus concentra-se ao redor da capital, na região metropolitana, e avança pelas principais rodovias que cortam o interior do estado.

A distância é um fator importante de dispersão da Covid-19. “O risco imediato, como é a condição de vigilância neste momento, é 25% menor a cada 100 quilômetros de distância da capital”. Portanto, há tanto o salto entre os grandes centros regionais quanto à difusão por vizinhança e contiguidade de municípios", alerta Fortaleza.