SpaceX envia mais 60 satélites Starlink à órbita em seu 18º lançamento de 2020

Patrícia Gnipper
·3 minuto de leitura

A SpaceX acaba de fazer mais um lançamento do projeto Starlink, levando à órbita da Terra mais um lote de 60 unidades. Este foi o 18º lançamento que a empresa realizou em 2020, marcando também o 95º voo do foguete Falcon 9, até então.

Menos de dez minutos depois, o primeiro estágio do foguete retornou à Terra conforme esperado, pousando na embarcação da SpaceX no Oceano Atlântico de maneira suave, para que seja recuperado e reutilizado. Este booster já conta com seis lançamentos e pousos em seu histórico, com esta aterrissagem sendo a 62ª vez em que a empresa de Elon Musk recupera um primeiro estágio de um Falcon 9 desde que o fez pela primeira vez, em 2015.

Agora, já são cerca de 835 satélites Starlink lançados, e a SpaceX segue firme e forte rumo à sua constelação que prevê um total inicial de 12 mil unidades, tendo ambição, na verdade, de chegar ao número de 30 mil. Passar de 800 unidades é um marco importante, pois a empresa previa que, com entre 500 e 800, já poderia começar a testar sua conexão de internet banda larga de alta velocidade e baixa latência ao redor do mundo — na verdade, testes em fase beta privado já vêm acontecendo, e a velocidade da conexão já passa dos 100 Mbps, sendo que Musk prometeu que a conexão Starlink atingirá velocidades de até 1 Gbps por usuário, com a latência ficando abaixo dos 20 ms.

Para quem não está por dentro, o projeto Starlink tem como objetivo criar uma megaconstelação de satélites para oferecer tal internet a toda a extensão do planeta, o que beneficiará, em especial, pessoas em áreas remotas e isoladas. Contudo, tamanho aumento repentino da quantidade de satélites ao redor da Terra traz problemas: a passagem dos Starlink vem prejudicando observações astronômicas praticamente desde que a SpaceX lançou seu primeiro lote, em maio do ano passado.

Esse problema acontece pelo fato de que os satélites, enquanto elevam sua órbita, refletem muita luz solar, aparecendo como trilhas de pontos brilhantes no céu noturno. Ou seja: eles acabam sendo vistos a olho nu, aparecem em fotografias de longa exposição e, obviamente, também impactam as observações noturnas de telescópios, e até mesmo ameaçam a nossa busca por asteroides potencialmente perigosos.

Elon Musk se mostrou preocupado em resolver o problema que causou, ainda mais considerando que instituições de peso no meio científico, como a União Astronômica Internacional (IAU), por exemplo, se manifestaram alertando o mundo para o perigo que o brilho dos satélites representava à astronomia. Sendo assim, a SpaceX testou um revestimento escuro nos satélites, chamado DarkSat, e em seguida aprimorou a medida com o que chamou de VisorSat, aplicando visores em determinadas partes dos equipamentos para desviar a luz refletida. No entanto, tais medidas ainda não se provaram suficientes para resolver, de verdade, o problema.

Em novembro de 2019, strônomos do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) registraram como alguns poucos satélites Starlink já prejudicavam seus trabalhos. Cada uma das trilhas na imagem mostra a passagem de um satélite (Imagem: Reprodução/NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory/CTIO/AURA/DELVE)
Em novembro de 2019, strônomos do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) registraram como alguns poucos satélites Starlink já prejudicavam seus trabalhos. Cada uma das trilhas na imagem mostra a passagem de um satélite (Imagem: Reprodução/NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory/CTIO/AURA/DELVE)

Outro problema que um grande número de objetos em órbita acaba causando é uma espécie de "congestionamento" no tráfego espacial, tornando cada vez mais difícil encontrar um caminho livre para os futuros lançamentos.

A situação fica ainda mais preocupante se considerarmos que o projeto Starlink não é o único nesse sentido. A OneWeb, por exemplo, já lançou alguns lotes de satélites do tipo, enquanto a Amazon deverá começar a fazê-lo com o projeto Kuiper, e o Facebook também tem na mesa seu projeto Athena.

Fonte: Canaltech

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