SPD elege críticos da coalizão governamental alemã para sua direção

Por Mathieu FOULKES
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Os novos líderes do Partido Social-Democrata alemão, Norbert Walter-Borjans e Saskia Esken, eleitos hoje em Berlim

Os militantes social-democratas alemães elegeram neste sábado uma dupla de dirigentes críticos da coalizão de Angela Merkel, em detrimento do atual ministro das Finanças, partidário do status quo.

Muitos não os conheciam até poucas semanas atrás, mas Saskia Esken e Norbert Walter-Borjans receberam 53,06% dos votos, frente a 45,33% para o ministro e vice-chanceler Olaf Scholz e Klara Geywitz, vereadora da ex-RDA.

Cerca de 54% dos 426.630 militantes do partido, criado com o mesmo nome em 1890, participaram deste segundo turno. Os dois novos presidentes tomarão posse oficialmente durante o congresso que acontecerá de 6 a 8 de dezembro em Berlim.

Os vencedores prometeram "estender a mão" para manter a "coesão" no partido, de quem a direita e os ecologistas tiram vantagem nas pesquisas, que lhes dão resultados muito emparelhados com a ultradireita.

Este segundo turno representa uma bomba para a chanceler Angela Merkel, no poder há 14 anos e que espera concluir sua legislatura em 2021 e, em seguida, retirar-se da política.

Saskia e Walter-Borjans, partidários de uma linha mais progressista, querem renegociar o acordo de coalizão fechado entre o SPD e os conservadores da CDU-CSU em 2018, o que a direção da CDU descarta.

Olaf Scholz, que carece de carisma, contava com a confiança de Merkel. Ele se perfilava como a escolha da continuidade. Ex-prefeito de Hamburgo, seu posto atual, de ministro das Finanças, poderá ser abalado por esta derrota. Ele era o único peso pesado social-democrata que disputava estas eleições, provocadas pela demissão repentina da presidente anterior, Andrea Nahles, após as eleições europeias, onde o SPD registrou resultados desastrosos.

Os dois novos dirigentes reclamam, principalmente, mais investimentos, de até 1 bilhão de euros, em favor do clima e em infraestrutura, e um aumento do salário mínimo.

Se a direita continuar se opondo terminantemente a isto, o SPD poderia decidir abandonar a coalizão. Merkel poderia, então, tentar formar um governo de minoria. Também haveria a possibilidade de novas eleições antes do fim da atual legislatura, mesmo o momento não sendo oportuno, uma vez que a Alemanha assumirá a presidência rotativa da União Europeia em 2020.

Segundo uma pesquisa Ipsos recente, cerca de 57% dos apoiadores do SPD seriam favoráveis à manutenção da equipe de Merkel, mas o resultado destas eleições, que nenhuma pesquisa havia previsto, poderá mudar o jogo.