Sport x Vasco: Cano encerra seca de nove jogos e tira Cruz-Maltino momentaneamente do Z4

Marcello Neves
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Foto: MARLON COSTA/FUTURA PRESS / Agência O Globo
Foto: MARLON COSTA/FUTURA PRESS / Agência O Globo

Ao mesmo tempo que o Vasco fazia uma partida importante no Recife, os candidatos à presidência disputavam votos no Rio. É quase uma síntese do clube nos últimos anos: enquanto o futebol ficou em segundo plano, a política ganhou prioridade. Felizmente, o artilheiro Germán Cano sabe que, independentemente de quem for eleito, é preciso seguir caminhando para livrar o Cruz-Maltino do risco de rebaixamento: ontem, ele foi o autor dos dois gols da vitória por 2 a 0 contra o Sport, que tirou momentaneamente a equipe do Z4.

Com o resultado, o Vasco sobe na tabela, chega a 22 pontos, e agora olha para a partida de amanhã entre Botafogo (que iniciou a rodada em 17º, com 20 pontos) e Bragantino (que abriu em 16º, também com 20) para ver a quantos pontos ficará de distância da zona de rebaixamento. (ou de sair dela). O próximo compromisso é contra o Fortaleza, na quinta-feira, às 19h (de Brasília), em São Januário.

O brilho de Cano coincide com a seca que o Vasco vivia no Campeonato Brasileiro. A última vitória foi em 13 de setembro, quando fez 3 a 2 sobre o Botafogo, no Nilton Santos. Coincidentemente, quando a seca do atacante argentino começou. No retorno às redes, uma vitória importante para aliviar o ambiente do clube.

Mas antes de a bola rolar, um show de problemas marcou o Vasco. Durante a semana, quatro atletas foram diagnosticados com Covid-19: Leandro Castan, Miranda, Carlinhos e Ribamar. Além de Bruno Gomes, recuperando-se de problema no quadril e em fase de transição. Já no dia do jogo, Felippe Bastos foi mais um colocado em isolamento por ter testado positivo. Problemas de sobra para o técnico Ricardo Sá Pinto que teve pouco tempo para treinar e levou uma equipe que nunca atuou junta a campo.

Em meio à sequência de nove partidas sem vencer, chamava a atenção a baixa produção ofensiva da equipe no período: apenas cinco gols marcados. O Cruz-Maltino tem a segunda menor média de finalizações na Série A do Brasileiro, com 9,9. Só finaliza mais que o próprio Sport, adversário de ontem, média de 9,7.

Mas na Ilha do Retiro, vimos uma mudança clara de estilo — que já traz a torcida para não ser apenas momentânea. O Vasco seguiu pecando nas finalizações, muitas delas por afobação ou falta de direção, mas não dá para dizer que faltaram chutes em direção ao gol. Se alguns pouco assustaram o goleiro Mailson, as tentativas de Leonardo Gil, de fora da área, e Léo Matos, descendo pela direita, serviram para aumentar a estatística e mostrar que a partida não seria tranquila para o Sport.

Os bons primeiros minutos de jogo do Vasco foram premiados com Germán Cano conseguindo desencantar. E em jogada argentina: Léo Gil cruzou da esquerda para o argentino finalizar e encerrar o jejum de gols.

Mas o ímpeto não se manteve. Depois do gol,o Vasco cozinhou o jogo e pouco chegou. Em um contra-ataque, Cano recebeu na linha do meio-campo e não teve ninguém para dialogar. Situação que ajudou a equipe pernambucana a crescer e passou a pressionar o Cruz-Maltino.

A defesa com três zagueiros montada por Ricardo Sá Pinto teve dificuldade para se encontrar diante da movimentação do ataque do Sport, que optou por levar a campo uma escalação sem centroavante fixo.

Thiago Neves, Leandro Barcia e Jonathan Gomez se movimentavam e superavam a marcação da defesa do Vasco nas jogadas em velocidade. Em uma delas, Barcia obrigou Fernando Miguel a fazer grande defesa para evitar o empate.

Quando o Sport parecia melhor na partida, a estratégia reativa do Vasco funcionou. Novamente em contra-ataque, Cano aproveitou o cruzamento de Neto Borges e empurrou para as redes. O bandeira marcou impedimento no lance, mas o VAR foi acionado e confirmou a posição legal do atacante argentino.

Confortável na partida, Ricardo Sá Pinto deu oportunidade a Jadson , que fez a sua estreia pelo Vasco substitui Werley, que teve atuação sólida juntamente com Ricardo Graça e Marcelo Alves, um dos destaques da equipe na partida.

Sá Pinto ainda se envolveu em uma situação curiosa. Ele iria acionar Vinícius na equipe na segunda parada para substituições, mas com a demora para as trocas, o árbitro mandou seguir. Técnico não quis abrir mão da terceira paralisação no jogo e o atacante voltou para o aquecimento. Depois, o atacante entrou em campo.