Sputnik V: Bolsonaro negocia compra da vacina russa contra a covid-19

Anita Efraim
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Vials containing the Russian vaccine Sputnik V are seen on a table at the Bekes County Central Hospital in Bekescsaba, Hungary, Thursday, March 25, 2021, as the nationwide vaccination against the new coronavirus continues. (Tibor Rosta/MTI via AP)
Vacina Sputnik V é desenvolvida na Rússia (Foto: Tibor Rosta/MTI via AP)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está negociando a compra da Sputnik V, vacina russa contra a covid-19. A ideia é que o imunizante seja importando e também produzido no Brasil. 

Nas redes sociais, Bolsonaro divulgou um vídeo ao lado do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, e também com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para explicar as negociações. Segundo o presidente, ele e Vladimir Putin, presidente da Rússia, falaram ao telefone para encaminhar as tratativas. 

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"Acabei de receber um telefone do presidente Putin. Um dos assuntos mais importantes que nós tratamos aqui é a possibilidade de nós virmos a receber a vacina Sputnik desse país. Logicamente, dependemos ainda de resolver alguns entraves aqui no Brasil", afirmou o presidente. 

Bolsonaro afirmou que era importante que a Anvisa aprovasse o uso da Sputnik V para que a vacina começasse a ser aplicada no Brasil. Representantes da agência sanitária irão para a Rússia para continuar a missão. 

"Atendendo a esse convite do presidente Jair Bolsonaro, a Anvisa aqui está. E temos, nesse contato que o presidente acabou de realizar com o presidente Putin, a confirmação do envio da nossa missão, uma missão de vigilância sanitária, à Rússia. Já com o ok da Rússia nesse sentido, para que possamos efetuar a inspeção nas instalações e produção tanto de insumos quanto da própria vacina." 

O embaixador da Rússia também deve ir à Anvisa para continuar as conversas sobre a Sputnik V. Bolsonaro agradeceu ao presidente russo pelo diálogo entre as partes. 

No Brasil, a União Química deve produzir a Sputnik V. Até o momento, o país aplica vacinas Coronavac, produzidas pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, e o imunizante Oxford/AstraZeneca. 

Boas práticas aprovadas pela Anvisa

No dia 30 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou a vacina russa contra a Covid-19 Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya em parceria com a União Química.

A decisão trata sobre a certificação de boas práticas de fabricação do imunizante, ou seja, uma espécie de "pré-etapa" antes do pedido do uso emergencial.

O documento é necessário para obtenção do registro de medicamentos biológicos. Não é possível conceder qualquer autorização sem essa de boas práticas, pois ela garante que as empresas cumprem com as boas práticas necessárias para assegurar a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos.

A aprovação acontece três dias após a Agência ter informado que suspendeu o prazo de análise do pedido de uso emergencial da vacina russa. No último sábado (27), a Anvisa afirmou que a medida ocorreia devido à falta de parte dos dados exigidos para a avaliação.

Compra pelo governador do Maranhão 

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), assinou um contrato de compra de mais de 4,5 milhões de doses da Sputnik V. O imunizante russo ainda não tem permissão de uso emergencial no Brasil, mas o documento foi assinado hoje por Dino.

“Assinamos contrato para a compra da vacina russa Sputnik. O Maranhão pretende adquirir 4.582.861 doses de vacina. Estamos enviando contrato hoje para a empresa russa. Expectativa é conclusão da compra e início das entregas em abril”, afirmou o governador do Maranhão.

Dino esclareceu que, caso o governo federal tenha interesse em assumir a compra para usar no Plano Nacional de Imunização, o Maranhão não vai se opor.

“O Maranhão reitera o compromisso com o Plano Nacional de Imunização (PNI), nos termos da lei. Assim, caso o Ministério da Saúde opte por assumir o contrato, não vamos nos opor. Caso não queira, vamos manter a compra”, declarou.

Eficácia da Sputnik V 

Após meses de críticas devido à falta de revisão e o passo acelerado de sua aplicação na Rússia, a vacina Sputnik V teve enfim a análise preliminar de sua fase 3 de ensaios publicada pela prestigiosa revista britânica The Lancet.

O imunizante russo teve 91,6% de eficácia em um estudo com cerca de 20 mil participantes. Desses, houve 16 contaminados que desenvolveram a Covid-19 no grupo vacinado e 62, entre aqueles que tomaram placebo.

Segundo a Lancet, uma análise de 2.000 voluntários que tinham mais de 60 anos no estudo mostrou uma eficácia semelhantes do fármaco, dado importante porque se trata do grupo que concentra a mortalidade da doença.

Não houve relato de efeitos adversos na aplicação das duas doses da vacina além de desconforto no ponto da injeção e sintomas gripais, como febre e baixa energia.