Sputnik V: Russos acusam Anvisa de atuação política ao não aprovar vacina

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
A Palestinian health worker shows vials of the Russian Sputnik V vaccine, at UNRWA's al-Sheikh Redwan clinic in Gaza City, on April 18, 2021.
 (Photo by Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images)
Vacina russa Sputnik V está sendo aplicada na Argentina, no México, na Palestina, na Rússia e outros países (Foto: Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images)
  • Russos acreditam que decisão da Anvisa de rejeitar importação da Sputnik V foi política

  • Nas redes sociais, eles lembraram o relatório dos EUA, mostrando que país queria convencer o Brasil e rejeitar a vacina

  • Anvisa considera que faltam provas da segurança e eficácia da Sputnik V

Para os russos, a decisão do Brasil e não autorizar o uso da vacina Sputnik V, contra a covid-19, foi de natureza política. A declaração foi feita nas redes sociais, no perfil oficial da vacina.

“Os atrasos da Anvisa na aprovação do Sputnik V são, infelizmente, de natureza política e não têm nada a ver com acesso à informação ou ciência. O Departamento de Saúde dos Estados Unidos, em seu relatório anual de 2020 há vários meses declarou publicamente que o adido de saúde dos Estados Unidos ‘persuadiu o Brasil a rejeitar a vacina russa COVID-19’".

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O perfil ainda incentivou a judicialização da questão, levando a decisão para o Supremo Tribunal Federal.

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Entenda a decisão da Anvisa

Nova Vacina Russa contra Coronavirus Sars-Cov-2 sobre a mesa do laboratório
Anvisa considera que faltam informações sobre a vacina Sputnik V (Foto: Getty Images)

Na última segunda-feira (26), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária negou a importação da vacina russa Sputnik V. Os membros da Anvisa alegam que faltam dados técnicos para verificar se o imunizante é seguro e eficaz.

“Jamais permitiremos, sem que existam as devidas provas necessárias, que milhões de brasileiros sejam expostos a produtos sem a devida comprovação de sua qualidade, segurança e eficácia ou, no minimo, em face da grave situação que atravessamos, uma relação favorável risco-beneficio”, disse o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

A decisão foi unânime entre os cinco diretores da Anvisa que estavam envolvidos na decisão. Atualmente, a Sputnik V é usada na Argentina, no México, na Venezuela, na Palestina e na própria Rússia.

Segundo a revista científica “The Lancet”, a vacina russa tem eficácia de 91,6%. No entanto, os técnicos da Anvisa explicam que a agência reguladora precisa de mais requisitos para aprovar o imunizante.

“Uma avaliação sanitária é diferente da que é feita por uma revista científica. Uma revista científica não tem por objetivo recomendar ou não o uso de uma vacina, nem tem o compromisso de verificar boas práticas clínicas ou tem como pressuposto o acesso a todos os dados brutos e laudos”, explicou Gustavo Mendes, técnico da Anvisa.

Com a escassez de doses das vacinas contra a covid-19 no Brasil, governadores já haviam assinado contratos para a importação da vacina, como é o caso de Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão

Interferência dos Estados Unidos

Nas redes sociais, o perfil da Sputnik fez menção a uma pressão por parte dos Estados Unidos para que o Brasil não aceitasse a vacina do Instituto Gamaleya.

Em janeiro, foi revelado um relatório anual do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo norte-americano. No texto de 72 páginas, o texto mostra que o então presidente Donald Trump trabalhou para convencer o Brasil a rejeitar a Sputnik V. A conta da vacina russa já havia exposto o fato, em março de 2021.

A Sputnik V ainda não foi aprovada nos Estados Unidos e tampouco pela agência europeia de medicamentos.