Sputnik V, vacina russa, é liberada pela Anvisa

Redação Notícias
·6 minuto de leitura
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou, nesta terça-feira (30), o uso emergencial da Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Gamaleya (Foto: Agência Brasil)
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou, nesta terça-feira (30), o uso emergencial da Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Gamaleya (Foto: Agência Brasil)
  • Anvisa liberou a vacina russa contra a Covid-19 Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya em parceria com a União Química

  • A decisão trata sobre a certificação de boas práticas de fabricação do imunizante, ou seja, uma espécie de "pré-etapa" antes do pedido do uso emergencial

  • Empresa busca o aval para o uso de 10 milhões de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde no início deste mês

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou, nesta terça-feira (30), a vacina russa contra a Covid-19 Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya em parceria com a União Química. 

A decisão trata sobre a certificação de boas práticas de fabricação do imunizante, ou seja, uma espécie de "pré-etapa" antes do pedido do uso emergencial. 

Leia também:

O documento é necessário para obtenção do registro de medicamentos biológicos. Não é possível conceder qualquer autorização sem essa de boas práticas, pois ela garante que as empresas cumprem com as boas práticas necessárias para assegurar a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos.

A aprovação acontece três dias após a Agência ter informado que suspendeu o prazo de análise do pedido de uso emergencial da vacina russa. No último sábado (27), a Anvisa afirmou que a medida ocorreia devido à falta de parte dos dados exigidos para a avaliação. 

O pedido havia sido solicitado nesta sexta (26) pela União Química, que tem uma parceria com o Fundo de Investimento Direto da Rússia, responsável pela produção do imunizante no Brasil.

A empresa busca o aval para o uso de 10 milhões de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde no início deste mês. Segundo cronograma previsto pela pasta, serão inicialmente 400 mil doses entregues ao governo federal até o final de abril; 2 milhões no fim de maio e 7,6 milhões de doses em junho.

Segundo a agência, uma triagem inicial dos documentos anexados no pedido apontou que faltava parte dos dados exigidos para a avaliação, como especificações de qualidade e informações do tempo médio de acompanhamento dos pacientes que fizeram parte dos estudos.

Com isso, o prazo para que a Anvisa decidisse sobre o pedido, previsto neste caso em sete dias úteis, foi suspenso até que haja a entrega dos documentos completos.

A vacina Sputnik V

A medical worker holds a vial of the Russian Sputnik V Covid-19 vaccine, during a vaccination campaign at the State Hospital in Cailungo, San Marino, on March 29, 2021. - San Marino, a 34,000 citizens tiny independent republic, northern Italy, said on February 19, 2021 it would use the Russian Sputnik V vaccine. (Photo by Andreas SOLARO / AFP) (Photo by ANDREAS SOLARO/AFP via Getty Images)
Com pouco mais de 20 milhões de doses da vacina contra Covid-19 aplicados até domingo (28) no Brasil, o Mato Grosso do Sul tem a maior porcentagem populacional vacinada contra a doença do país. (Foto: Andreas SOLARO / AFP)

A Sputinik V surgiu no cenário internacional com desconfiança por parte do mundo ocidental. Isso aconteceu especialmente pela falta de estudos científicos publicados a respeito do imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya.

Mesmo assim, a Rússia começou a aplicar as doses no país. Angelo Segrillo, historiador da Universidade de São Paulo e autor do livro “Os Russos”, explica que a Rússia mudou a legislação para conseguir desenvolver o imunizante em tempo recorde.

“Se editou uma lei especial na Rússia que permitia, que, em casos emergenciais ou de pandemia, vacinas poderiam ser criadas e usadas apenas com a fase 2 de estudos em vez das 3 fases usuais, o que criou esta polêmica internacional se a vacina estava pronta realmente ou não para ser usada internacionalmente”, explica.

Na esteira da decisão russa, países preteridos pelas grandes farmacêuticas começaram a se movimentar no cenário internacional para adquirir a Sputnik V. Entre eles, a Argentina, que já começou a aplicação das doses da vacina russa, a Palestina e a Venezuela, além da Hungria.

Interesse na compra da Sputnik V

O Brasil também entrou no grupo dos países que negociam a compra da Sputnik V. Na opinião de Angelo Segrillo, a medida é positiva. “Neste momento emergencial de pandemia não se deve discriminar vacinas pela origem geográfica”, avalia.

A negociação do governo federal é com a União Química, que produzirá a vacina russa no Brasil. Ferraro entende que a iniciativa do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é uma forma de rivalizar com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Bolsonaro age com foco nas eleições de 2022. A Sputnik V pode ser uma estratégia de promover uma solução alternativa à CoronaVac, fomentada pelo governador João Dória”, aponta.

Brasil aplicou pouco mais de 20 milhões de vacinas

Com pouco mais de 20 milhões de doses da vacina contra Covid-19 aplicados até domingo (28) no Brasil, o Mato Grosso do Sul tem a maior porcentagem populacional vacinada contra a doença do país.

Balanço da vacinação aponta que mais de 10% da população do estado recebeu pelo menos uma dose do imunizante: 280.101 pessoas imunizadas com a primeira dose (9,97%) e 90.415 receberam também a segunda dose (3,22%).

Os números foram levantados pelo consórcio de veículos de imprensa, junto aos governos estaduais.

Confira a lista completa da vacinação nos estados até domingo (28)

  • AC: 1ª dose - 44.382 (4,96%); 2ª dose - 11.506 (1,29%)

  • AL: 1ª dose - 213.156 (6,36%); 2ª dose - 54.612 (1,65%)

  • AM: 1ª dose - 415.207 (9,87%); 2ª dose - 122.612 (2,91%)

  • AP: 1ª dose - 48.557 (5,63%); 2ª dose - 16.015 (1,86%)

  • BA: 1ª dose - 1.372.529 (9,19%); 2ª dose - 307.581 (2,06%)

  • CE: 1ª dose - 653.713 (7,12%); 2ª dose - 206.634 (2,25%)

  • DF: 1ª dose - 263.215 (8,62%); 2ª dose - 72.616 (2,38%)

  • ES: 1ª dose - 262.743 (6,47%); 2ª dose - 82.940 (2,04%)

  • GO: 1ª dose - 429.612 (6,04%); 2ª dose - 120.025 (1,69%)

  • MA: 1º dose - 335.459 (4,72%); 2ª dose - 104.211 (2,12%)

  • MG: 1ª dose - 1.182.035 (5,55%); 2ª dose - 454.441 (2,13%)

  • MS: 1ª dose - 280.101 (9,97%); 2ª dose - 90.415 (3,22%)

  • MT: 1ª dose - 153.503 (4,35%); 2ª dose - 61.362 (1,74%)

  • PA: 1ª dose - 406.869 (4,68%); 2ª dose - 104.249 (1,20%)

  • PB: 1ª dose - 349.125 (8,64%); 2ª dose - 83.525 (2,07%)

  • PE: 1ª dose - 717.391 (7,46%); 2ª dose - 215.593 (2,24%)

  • PI: 1ª dose - 213.157 (6,50%) ; 2ª dose - 48.296 (1,47%)

  • PR: 1ª dose - 792.734 (6,88%); 2ª dose - 209.949 (1,82%)

  • RJ: 1ª dose - 1.002.369 (5,77%); 2ª dose - 331.700 (1,91%)

  • RN: 1ª dose - 235.415 (6,66%); 2ª dose - 64.531 (1,83%)

  • RO: 1ª dose - 81.066 (4,51%); 2ª dose - 31.349 (1,75%)

  • RR: 1ª dose - 37.418 (5,93%); 2ª dose - 17.902 (2,84%)

  • RS: 1ª dose - 1.019.755 (8,93%); 2ª dose - 293.220 (2,57%)

  • SC: 1ª dose - 508.899 (7,02%); 2ª dose - 130.324 (1,80%)

  • SE: 1ª dose - 150.071 (8,81%); 2ª dose - 41.819 (2,45%)

  • SP: 1ª dose - 4.227.002 (9,13%); 2ª dose - 1.381.709 (2,98%)

  • TO: 1ª dose - 80.522 (5,06%); 2ª dose - 33.825 (2,13%)