Sri Lanka elege presidente-tampão após caos levar a fuga e renúncia de líder

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após meses de protestos somarem ao caos econômico uma crise política sem precedentes, o Sri Lanka realizou nesta quarta-feira (20) uma eleição indireta para apontar um presidente-tampão.

O ex-premiê Ranil Wickremesinghe, que já ocupava o cargo como interino, foi escolhido para concluir o mandato de Gotabaya Rajapaksa, até novembro de 2024. Em votação secreta, ele obteve 134 dos 225 votos, derrotando Dullas Alahapperuma, apoiado pela principal sigla da oposição, e o líder esquerdista Anura Dissanayake.

Nas voltas que só crises de grandes proporções parecem proporcionar, para os legisladores a experiência de Wickremesinghe, 73, que por seis vezes atuou como primeiro-ministro, pesou mais do que o fato que ele próprio foi alvo das manifestações. "Nosso país está enfrentando grandes desafios, e temos que trabalhar numa nova estratégia para cumprir as aspirações do povo", disse ele. "Todos devem se unir."

Sobrinho de Junius Jayewardene, que presidiu o país na década de 1970, o novo presidente foi nomeado vice-ministro das Relações Exteriores pelo tio em 1977 e, desde então, não se afastou da política.

O ex-presidente Rajapaksa renunciou depois de fugir do Sri Lanka, com destino às Maldivas e depois a Singapura —com direito a ter sido barrado por agentes no aeroporto de Colombo antes de conseguir consumar a escapada. Sua permanência havia passado a beirar o insustentável depois que manifestantes invadiram o palácio presidencial no último dia 9 e o ocuparam por dias.

Os protestos furiosos, em um sábado de caos, foram o ápice de meses de insatisfação com a gestão de Rajapaksa, de resto representante de uma dinastia política que há décadas ronda o poder no Sri Lanka.

A cólera dos cingaleses se dirigiu também ao então primeiro-ministro, que teve sua casa igualmente invadida e incendiada. Nem isso nem o fato de ter falado, ainda no dia 9, em entregar o cargo para um governo de união nacional, porém, fizeram com que ele renunciasse.

Ao contrário, o político foi apontado como presidente interino no dia em que Rajapaksa havia prometido renunciar mas não o fez —a demissão em si só viria no dia seguinte, por email. Wickremesinghe voltara ao posto de premiê em maio, em substituição a Mahinda Rajapaksa, irmão mais velho de Gotabaya forçado a renunciar em outra leva de protestos.

Os últimos dias, em meio a um estado de emergência decretado e renovado pelo interino, foram de mais calmaria. Resta saber se a escolha do novo presidente, rejeitado por manifestantes, manterá esse clima, de forma que ele possa cumprir uma de suas principais missões: a de pacificar o país.

Pouco após o resultado da votação, Wickremesinghe deu indícios de que pretende intensificar a repressão. Alegando que atuará com firmeza contra os que tentam deturpar atos legítimos, disse que o país "não precisa que uma minoria acabe com as aspirações da maioria" por mudanças no sistema político. "Tentar derrubar o governo, ocupar o gabinete do presidente e do primeiro-ministro não são ações de uma democracia; isso é contra a lei", disse a jornalistas em frente a um templo budista.

Outra missão do novo presidente será destravar a economia, assolada pela maior crise desde que a ilha de 22 milhões de habitantes se tornou independente do Reino Unido, em 1948. Foi numa crítica à opulência estatal em meio à carestia nas cidades que, na invasão ao palácio residencial e à casa do premiê, manifestantes se deixaram fotografar usando a piscina, fazendo piqueniques e estirando-se nas camas.

A espiral do caos foi acelerada pelo que é visto como uma sequência de erros de gestão da família Rajapaksa, agravados pela pandemia. O Sri Lanka recentemente se tornou a primeira nação asiática desde 1999 a não honrar compromissos externos de sua dívida de US$ 51 bilhões.

Cortes de impostos promulgados em 2019, aliados à secura nas receitas provenientes do turismo em razão de restrições impostas para conter o coronavírus, reduziram a arrecadação do Estado e paralisaram a economia. Isso travou também a capacidade de lançar políticas públicas que freassem o levante social, disparado quando o governo cingalês, sem crédito, se viu forçado a racionar combustíveis.

Em outra medida questionável, Rajapaksa chegou a proibir o uso de fertilizantes de origem estrangeira, sob a justificativa de promover a agricultura orgânica. Sem tecnologia disponível, produtores tiveram uma das piores colheitas no ano passado, agravando um cenário de escassez de alimentos e inflação.

À rede americana CNN Wickremesinghe disse que a administração anterior, da qual era aliado, estava "escondendo fatos" sobre a crise econômica, o que deixou o país, nas palavras dele, falido. O Fundo Monetário Internacional chegou a condicionar a retomada plena de negociações ao fim da crise política.

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