Start-up brasileira faz parceria com instituto de Haia para ajudar 'lawtechs' de outros países a inovarem no Direito

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RIO — A startup brasileira Softplan, que usa tecnologia para aprimorar processos do Judiciário, firmou uma parceria com o Instituto de Haia para Inovação do Direito (HiiL, na sigla em inglês) para ajudar outras lawtechs a levarem inovação à área jurídica em seus países de origem.

O instituto é ligado ao Tribunal Penal Internacional, mais conhecido como Tribunal de Haia, na Holanda, e à Organização das Nações Unidas (ONU).

A parceria começou neste mês de novembro, mas a Softplan já havia apoiado o instituto em duas edições do Fórum de Inovação na Justiça, uma das principais iniciativas do HiiL.

A startup é a única empresa brasileira a participar do programa de inovação Justice Accelerator, que financia, treina e oferece consultorias para um grupo de startups da África, do Médio Oriente e da Ucrânia.

— Muitas vezes os governos olham com muita desconfiança para o digital, pois estão acostumados com o papel, que dá uma ilusão de segurança, mas na realidade é muito mais suscetível a falhas. Quanto mais inovação tivermos, mais esse segmento de mercado no mundo inteiro é empurrado a se atualizar. Por trás disso, temos o cidadão recebendo justiça mais rápida, o criminoso tendo uma decisão mais célere, e menos custo para a sociedade — explica Rodrigo Santos, diretor executivo da Softplan.

Ele conta que a empresa existe há 30 anos e que atualmente 40% dos processos judiciais no Brasil tramitam nos sistemas da companhia. Um dos clientes da Softplan é o Tribunal de Justiça de São Paulo.

— Fomos os responsáveis pela transformação digital da Justiça paulista. O TJ-SP saiu do último colocado para o terceiro lugar em produtividade depois disso. Em São Paulo, processos que nascem digitais tramitam quase 700% mais rápidamente que os físicos — afirma Santos.

Ele conta que a startup foi responsável pela sentença judicial mais rápida da História do Brasil, concluída em 9 dias úteis, e que possibilitou a uma mãe conseguir ter acesso ao medicamento que o filho necessitava pelo SUS.

As start-ups mentoradas pela Softplan através da parceria com o HiiL participarão de sessões com especialistas da lawtech para debater temas como inteligência artificial, transformação digital, jurimetria, modelagem de banco de dados e business intelligence.

A Softplan também vai ministrar uma masterclass no dia 1º de dezembro sobre potencializar o acesso à Justiça por meio da tecnologia.

Entre as startups selecionadas para o projeto estão a Adel, da Palestina, que permite que trabalhadores acessem uma plataforma legalmente automatizada para verificar suas compensações trabalhistas e conectá-los a advogados experientes em Direito do Trabalho.

Outra lawtech escolhida é a Legal Fundi, da África do Sul, que fornece assistência jurídica gratuita e serviços jurídicos de baixo custo.

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