Start-up cria máquina para plantar horta como se faz café

Sérgio Matsuura
·3 minuto de leitura
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RIO — Ter horta em casa é desejo de muitos, mas os cuidados exigem dedicação com a rega, escolha das melhores plantas para o clima local, adubação com nutrientes e muita atenção. Para facilitar a vida de novos horticultores, a start-up Brota lançou uma máquina que torna o plantio tão simples como fazer um café.

— As pessoas não têm tempo para se dedicarem, esquecem de regar, não têm conhecimento de como adubar — diz Rodrigo Farina, cofundador e CEO da start-up. — O nosso produto funciona mais ou menos como uma máquina de café. Basta colocar água no sistema e encaixar as cápsulas, que já vêm com sementes e os nutrientes certos. Aí é só esperar crescer.

Farina conta que a ideia surgiu em novembro de 2019, em conversas sobre o futuro da alimentação. Após visitar uma feira no Vale do Silício, percebeu que no coração da indústria da tecnologia essa é uma das preocupações, e trouxe a questão para o Brasil. Sem encontrar produtos do tipo, resolveu inovar.

10 mil clientes

Sem ter conhecimento em agronomia, Farina, junto com outros dois sócios, montaram uma equipe e partiram para o desenvolvimento do produto. Para levantar capital, lançaram um projeto num site de financiamento coletivo.

Em 45 dias, arrecadaram R$ 535 mil, com a contribuição de 2,3 mil apoiadores. A máquina foi lançada em setembro e, em novembro, a start-up já havia superado a marca de 10 mil clientes. Segundo Farina, além do próprio apelo do produto, a pandemia de coronavírus contribuiu para acelerar as vendas.

— A crise fez as pessoas prestarem mais atenção na alimentação. Antes era a correria do almoço na rua, nos restaurantes. Em casa, elas passaram a ter tempo para refletir sobre isso — afirma o empreendedor. — A Brota permite que as pessoas cultivem seu próprio alimento em casa, totalmente livre de agrotóxicos.

A Brota é compacta, com 20 centímetros de lado e oito centímetros de altura, para se encaixar em espaços pequenos. Cada uma tem oito buracos, para encaixe das cápsulas. Após a montagem, ela fornece água e nutrientes para as plantas. O único requisito é que ela seja posicionada em algum canto da casa que receba luz direta por algumas horas do dia.

A máquina custa R$ 225 e já vem com seis cápsulas. As adicionais custam R$ 10 cada.

A start-up oferece cápsulas de 14 variedades de plantas, principalmente de temperos e folhas para chás, além de rúcula e alface, que podem ser cultivadas para consumo em baby leaf (hortaliças menores e colhidas antes do tempo usual).

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Segundo Farina, está sendo desenvolvido um modelo maior, para plantas de maior porte, como as folhagens. Para janeiro, está previsto o lançamento de um kit de iluminação, para tornar o cultivo totalmente autônomo e sem a necessidade de luz natural, para aqueles que moram em casas com pouca iluminação.

Além da simplicidade no plantio e no cultivo, a start-up tem uma equipe técnica para tirar dúvidas dos clientes. Apesar de raros, pelas dimensões das cápsulas, episódios de pragas podem acontecer:

— Se aparecer algum bichinho, se a planta não estiver se desenvolvendo bem, os clientes podem nos procurar. Temos uma equipe de biólogos e engenheiros de alimentos para orientar e tirar dúvidas.

Reeducação alimentar

Pelas dimensões, a Brota, obviamente, não pretende tornar os lares autossuficientes em vegetais. A ideia, conta Farina, é a reeducação alimentar, de mostrar para as pessoas que o atual modelo de produção não é sustentável e que é possível cultivar em ambientes urbanos.

— As projeções indicam que, até 2030, metade dos alimentos consumidos será produzida nas cidades — diz Farina. — O nosso objetivo é fazer com que as pessoas tenham sucesso com suas hortas, que elas entendam que é possível cultivar dentro de casa. Usar a brota como um guia para a mudança de hábitos. E a partir daí, ir ocupando cada vez mais os pratos das pessoas.