Start-up de imóveis Loft capta mais US$ 100 milhões em nova rodada de investimentos

Raphaela Ribas
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RIO - A Loft, start-up paulistana especializada em imóveis, anunciou nesta quinta-feira a captação de mais US$ 100 milhões (R$ 546 milhões) em sua quarta série de investimentos, a Série D. Com os US$ 425 milhões que já tinha recebido em março, na primeira etapa da rodada, totaliza um investimento de US$ 525 milhões (R$ 2,8 bi), a maior injeção de capital já feita em uma start-up brasileira.

O investimento será direcionado para melhorias na tecnologia da empresa, contratações e na expansão, inclusive em novas cidades. Segundo o CEO e cofundador da Loft, Mate Pencz, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba estão sendo estudadas.

A Loft foi fundada em 2018 e o modelo vem crescendo com a promessa de menos burocracia na compra, venda e reforma. Hoje, atua apenas no Rio e em São Paulo, com mais de 15 mil apartamentos ativos em 130 bairros nas duas cidades.

O portfólio inclui imóveis próprios que são reformados para vender – que deve ser o foco desses aportes. Mas o que atrai clientes, por ora, é ser uma plataforma que usa inteligência artificial para oferecer propostas de compra para apartamentos usados em vizinhanças específicas.

Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação no Rio (Secovi Rio), Leonardo Schneider, o interesse pelas start-ups do mercado imobiliário, mesmo em meio à crise financeira, é resultado da busca por melhores moradias na pandemia com o modelo inovador que elas propõem.

— O mercado está vivendo um momento mais propício para compra de imóveis pela questão da taxa de juros e da busca por investimentos mais conservadores. E tem a questão digital que está forte. A loft está entrando em um bom momento — avalia.

Segundo Schneider, esta liquidez incentiva os fundos a buscarem investimentos com a chancela disruptiva. No caso da Loft, diz, além do crescimento constante e consistente, apesar de recente, a parceria com corretores no mercado foi fundamental.

— A Loft vai seguir investindo em tecnologia para melhorar sempre a experiência de compradores, vendedores e corretores, tanto nas operações de compra e venda quanto no financiamento imobiliário. Para isso, prevemos um forte volume de contratações nos próximos meses. Também, vamos investir os recursos na aquisição de mais apartamentos nas cidades em que já atuamos e, em breve, vamos operar em outras capitais brasileiras — diz Pencz.

Avaliada em quase US$ 3 bilhões

O novo aporte também elevou a avaliação da Loft para US$ 2,9 bilhões (R$ 15,85 bilhões), uma aceleração significativa até mesmo entre as start-ups que costumam crescer com maior agilidade no mercado.

A quarta série de investimentos foi liderada pelo fundo de venture capital especializado em tecnologia Baillie Gifford, além de outros investidores já existentes, como Caffeinated, Flight Deck e Tarsadia. Por enquanto, não há previsão de novas rodadas de investimento.

Em janeiro de 2020, com uma carteira de 13 mil imóveis e seis mil clientes, a companhia se tornou o 11º unicórnio brasileiro, nomenclatura usada para classificar empresas que são avaliadas em US$ 1 bilhão.

— Esses investimentos vão nos permitir executar os nossos planos de forma mais rápida — afirma o executivo à frente da empresa.