Stenio Garcia cultiva árvores frutíferas com nomes de amigos, como Nicette Bruno e Mara Manzan, em casa: ‘Trato como gente’

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Nicette Bruno é uma sapoti. A também atriz Mara Manzan, um pé de tangerinas. A mãe do ator, Stela, uma jabuticabeira. O pai, Antonio, uma mangueira. O avô, de mesmo nome, um coqueiro. Stenio Garcia chega aos 90 anos cultivando saudades no quintal de casa. Seu maior passatempo é cuidar das árvores frutíferas que plantou na propriedade em que vive com a mulher, a também atriz Marilene Saade, de 54, há duas décadas, na Zona Oeste do Rio.

— Aqui também tem pé de lichia, araçá, laranja, limão, mamão... Meu prazer é conversar com as plantas. Faço carinho, beijo, trato como gente. Tanto, que coloquei nomes de pessoas queridas nelas, que me ouvem e me respondem do seu jeito. Mamãe, por exemplo, sente se estou longe. Quando volto de viagem, já brota jabuticaba, é impressionante! Homenageei meu pai com esta mangueira porque ele era ferroviário e perdeu uma perna no trilho do trem. Quando cheguei aqui no terreno, a árvore estava com o caule cortado, danificado — explica o capixaba de Mimoso do Sul, que desembarcou pela primeira vez em terras cariocas aos 13 anos: — Não tenho muitas tristezas na vida, mas a separação dos meus pais foi uma. Vim pro Rio com minha mãe, mas meus dois irmãos mais novos ficaram por lá. Aqui, comecei logo a trabalhar como auxiliar de escritório, na Avenida Senhor dos Passos, no Centro da cidade.

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Dez anos depois, em 1955, já arrebatado pela arte, o rapaz ganharia a medalha de ouro de melhor aluno de teatro do Brasil.

— Esse prêmio me emocionou muito, é o maior elogio que já recebi. Foi por causa desse reconhecimento que Cacilda Becker me chamou para um estágio na companhia de teatro dela, e minha carreira começou a acontecer — relembra Stenio, que na época ainda começou a namorar Cleyde Yáconis, irmã da também atriz, e com ela se casou.

Foram 11 anos de união e uma separação conturbada, que os afastou por 41 anos. Até que uma queda e quebra do fêmur sofridos por Cleyde durante a novela “Passione” (2010) reaproximou os dois.

— Antes de ela partir (em abril de 2013), estávamos muito amigos. Ela me perdoou (de uma traição), quase que morreu nos meus braços — conta o ator, que ainda teve outros três casamentos e duas filhas antes de conhecer sua atual mulher, com quem celebra bodas de prata no próximo mês: — Acompanho o pique de Marilene. Ela me vigia o tempo todo, não me deixa comer os doces de que tanto gosto (risos).

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Na varanda de casa, Stenio tem equipamentos para a prática de exercícios físicos. Três vezes por semana, ele sua a camisa na companhia da amada, sob a supervisão de uma personal trainer. Há sete anos, depois de se fotografarem nus em frente ao espelho para comparar o antes e depois da transformação física, o casal teve as imagens vazadas na internet.

— Foi um episódio bem desagradável. Já tinha feito peça e filme nu, nunca tive pudor em tirar a roupa para o trabalho. Mas, nesse caso, foi uma invasão de privacidade mesmo — lamenta Stenio.

O ator, que não se considera nada vaidoso, credita ao seu talento o encanto dos galãs que já interpretou.

— Eu sou um tipo brasileiro: baixinho, do nariz chato, meio feio... Mas sei produzir charme em cena. Já usei até sapato com salto quando o personagem pedia uma imponência a mais — revela ele, que hoje mede em torno de 1,62m.

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Em novembro do ano passado, Stenio publicou um vídeo no Instagram para desmentir Silvio de Abreu, ex-diretor de dramaturgia da Globo. O autor havia dito numa entrevista que o ator parou de ser convidado para novos projetos na emissora porque seu rosto mudara muito, em decorrência de plásticas.

— Nunca fiz, minhas rugas estão todas aqui! — reafirma.

Marilene, no entanto, conta que o marido passou por uma blefaroplastia (cirurgia de retirada do excesso de pele das pálpebras), por necessidade física, e não por estética:

— A pele estava caindo por cima dos olhos. A tal ponto, que Stenio chegou a bater com o carro por não enxergar bem.

Visão recuperada, audição nem tanto. Já há alguns anos, o ator usa aparelho auditivo na orelha direita. Ele teve o tímpano lesionado depois de uma cena de briga dentro d’água com o ator Carlos Vereza.

— Foi num filme do Carlos Imperial (“O esquadrão da morte”, de 1975). É claro que Vereza não fez por querer, não o culpo. Mas nunca mais ouvi bem, só com o aparelho.

Em março de 2020, o ator deixou de ser funcionário exclusivo da Globo, após 47 anos de contratos renovados.

— Desfrutei bem o tempo em que fiquei na casa — diz, saudoso, o intérprete do tio Ali, de “O clone” (2001), novela de Gloria Perez que vem sendo reexibida na emissora, contando que tem pago as contas com a aposentadoria: — Nunca fui de juntar dinheiro. O que eu ganhava, usava para ajudar parentes a realizarem seus sonhos também.

O sonho dele, agora, é receber um outro grande papel:

— Quero trabalhar até o meu último dia. Enquanto eu tiver forças, vou usar meu corpo em prol da arte. Isso me faz vivo.

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