Steve Bannon é indiciado por lavagem de dinheiro e conspiração em caso sobre muro na fronteira

Ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon, chega ao escritório do Procurador-Geral de Manhattan, em Nova York, EUA

Por Karen Freifeld

NOVA YORK (Reuters) - Steve Bannon, que já foi um dos principais estrategistas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, foi indiciado em Nova York por seis acusações criminais relacionadas ao esforço de Trump para construir um muro ao longo da fronteira dos Estados Unidos com o México.

Em um indiciamento tornado público nesta quinta-feira, Bannon foi indiciado em duas acusações de lavagem de dinheiro, três acusações de conspiração e uma acusação de conspiração para fraudar.

Bannon, de 68 anos, foi acusado de fraudar doadores em uma campanha privada de arrecadação de 25 milhões de dólares, conhecida como "We Build the Wall" (nós contruímos o muro, em uma tradução livre), para ajudar a construir o muro defendido por Trump ao longo da fronteira entre EUA e México.

As acusações ocorrem mais de um ano e meio depois que Trump perdoou Bannon nas horas finais de seu mandato na Presidência, livrando-o de um caso de fraude federal.

De acordo com o indiciamento, Bannon ocultou como o chefe do movimento estava recebendo centenas de milhares de dólares em dinheiro de doadores, apesar de prometer não receber um salário.

O chefe foi identificado em documentos judiciais como Brian Kolfage, um veterano da Força Aérea que se declarou culpado em abril de acusações fiscais e conspiração de fraude eletrônica, e está aguardando sentença.

"Stephen Bannon agiu como arquiteto de um esquema multimilionário para fraudar milhares de doadores em todo o país", disse o procurador do distrito de Manhattan Alvin Bragg em comunicado. "É um crime obter lucro mentindo para os doadores."

O gabinete da procuradora-geral de Nova York Letitia James trabalhou com o gabinete de Bragg na investigação. James e Bragg são democratas.

"Isso é uma ironia", disse Bannon do lado de fora do escritório de Bragg, onde se apresentou para enfrentar as acusações.

“No mesmo dia em que o prefeito desta cidade tem uma delegação na fronteira, eles estão perseguindo as pessoas aqui (por tentar) detê-las na fronteira”, acrescentou Bannon.

Bannon está sendo acusado menos de dois meses depois de ser condenado por desacato ao Congresso por desafiar uma intimação de um comitê da Câmara dos Deputados que investiga o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA.

(Reportagem adicional de Jonathan Stempel em Nova York)