Assessor de Trump é indiciado por se negar a colaborar com investigação

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O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu assessor Steve Bannon na Casa Branca em 22 de janeiro de 2017 (AFP/MANDEL NGAN)
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Steve Bannon, ex-assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, foi indiciado nesta sexta-feira (12) por se recusar a depor perante o comitê do Congresso que investiga o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, anunciou o Departamento de Justiça.

O ex-assessor, 67, foi processado por se recusar a depor e apresentar documentos à comissão especial da Câmara dos Representantes que investiga o papel do ex-presidente republicano no ataque de seus apoiadores à sede do Congresso, que deixou cinco mortos.

Apesar de sua convocação em meados de outubro, Bannon não compareceu diante dos legisladores, invocando o direito dos presidentes dos EUA de manter a confidencialidade de certos documentos e discussões. Mas de acordo com a comissão, essa proteção não se aplica, porque Trump não é mais presidente e nunca fez valer oficialmente esse privilégio do Executivo.

"Ninguém está acima da lei ", ressaltaram o presidente e a vice-presidente do órgão, Bennie Thompson e Liz Cheney, respectivamente. Segundo a rede de TV CNN, Bannon pretende se entregar ao Departamento de Justiça na próxima segunda-feira.

A comissão afirma que Bannon possui informações relevantes para a compreensão de como o ataque foi realizado, destacando presença do mesmo no dia 5 de janeiro em atividades destinadas a impedir a certificação pelo Congresso da vitória do democrata Joe Biden nas eleições de novembro, quando disse: "O inferno irá estourar amanhã."

- Batalha legal -

Bannon foi um dos articuladores da vitoriosa campanha presidencial do candidato republicano em 2016, antes de cair em desgraça. Ele não exercia funções oficiais em 6 de janeiro, mas aparentemente falou sobre o protesto com o presidente nos dias anteriores, de acordo com a comissão de inquérito.

Adam Kinzinger, um de seus integrantes, disse à CNN que os comentários de Bannon e sua ligação com ativistas pró-Trump perto da Casa Branca pouco antes do ataque sugerem que ele "parecia saber que algo estava prestes a acontecer".

"Desde o meu primeiro dia no cargo, prometi ao Departamento de Justiça que, juntos, mostraríamos ao povo americano que o departamento segue o Estado de Direito, disse o procurador-geral Merrick Garland. "As acusações de hoje refletem o compromisso firme do departamento com esses princípios."

O ex-assessor presidencial pode pegar entre 30 dias e um ano de prisão por cada acusação e será julgado em um tribunal federal. A batalha legal ainda pode durar meses ou anos, o que pode prejudicar a investigação.

Outro aliado próximo a Trump, seu ex-chefe de gabinete Mark Meadows, também rejeitou uma intimação na sexta-feira para comparecer perante o comitê de maioria democrata.

A defesa de Meadows invocou uma decisão judicial anunciada na quinta-feira, que suspendeu temporariamente até 30 de novembro a transmissão de documentos internos da Casa Branca à comissão.

O comitê respondeu em um comunicado que o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já havia autorizado a divulgação dos documentos e que Meadows, portanto, tinha a obrigação de testemunhar, alertando o ex-chefe de gabinete que ele também poderia estar em desacato ao Congresso.

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