Steve Bannon, aliado de Trump, se renderá na quinta-feira para enfrentar nova acusação em NY, diz fonte

Por Karen Freifeld

(Reuters) - Steve Bannon, que já foi um dos principais estrategistas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que recebeu o perdão presidencial, deve se entregar às autoridades de Nova York na quinta-feira para enfrentar uma nova acusação, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

Bannon foi acusado em 2020 em um tribunal federal de fraudar doadores de um fundo para construir um muro ao longo da fronteira EUA-México, mas essa acusação foi abandonada depois que ele foi perdoado nos momentos finais da presidência de Trump.

O novo indiciamento é para acusações criminais estaduais que podem espelhar partes do caso federal anterior, embora não esteja claro porque a acusação ainda está selada, disse a pessoa.

Uma porta-voz do Gabinete do Procurador Distrital de Manhattan se recusou a comentar.

O próprio Bannon divulgou um comunicado na noite de terça-feira, depois que o Washington Post noticiou pela primeira vez a nova acusação.

"Isso nada mais é do que um armamento político partidário do sistema de justiça criminal", disse Bannon no comunicado.

Ele disse que os promotores federais de Manhattan fizeram a mesma coisa em agosto de 2020 para tentar tirá-lo da eleição daquele ano.

"Não funcionou na época; certamente não funcionará agora", disse Bannon.

Espera-se que Bannon compareça ao tribunal estadual de Manhattan na quinta-feira e depois seja solto até o julgamento, disse a pessoa.

Um presidente pode perdoar as pessoas por crimes federais, mas não por crimes estaduais.

Bannon não é o primeiro aliado de Trump a ser acusado no tribunal estadual. Em 2019, o Gabinete do Procurador Distrital de Manhattan tentou perseguir o ex-presidente da campanha de Trump, Paul Manafort, por acusações criminais, incluindo fraude hipotecária, semelhantes a crimes pelos quais Manafort havia sido condenado em um tribunal federal.

Mas as acusações foram retiradas após decisões de que representavam dupla incriminação, ou julgar alguém duas vezes pela mesma conduta. Manafort foi perdoado por Trump em 2020.

Bannon se declarou inocente no caso federal, mas a dupla incriminação pode não se aplicar porque ele nunca foi julgado.

Brian Kolfage e Andrew Badolato, que foram acusados ao lado de Bannon no caso federal “We Build the Wall”, se declararam culpados de acusações de fraude em abril.

Bannon dirige um podcast popular de extrema-direita, "War Room", onde promove regularmente informações pró-Trump e recebe convidados que negam que Trump tenha perdido a eleição de 2020.

Em julho, Bannon foi condenado por desacato ao Congresso por desafiar uma intimação do seleto comitê que investigava o ataque do ano passado ao Capitólio dos EUA, um veredicto que o painel chamou de "vitória do Estado de Direito".

Bannon foi o principal conselheiro da campanha presidencial republicana de Trump em 2016, depois atuou como seu estrategista-chefe da Casa Branca em 2017, antes de uma briga que mais tarde foi resolvida.

Bannon, de 68 anos, defendeu o populismo de direita "America First" e a oposição feroz à imigração que se tornaram marcas registradas da presidência de Trump.