STF libera conteúdo da delação de donos da JBS

Irmãos Batista - Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou nesta sexta-feira (19) o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Os dois depuseram no âmbito da operação Lava Jato e tiveram suas delações homologadas pelo ministro Luiz Edson Fachin.

A medida de liberar a delação ao público foi tomada após o ministro Edson Fachin homologar os depoimentos, firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR). São cerca de 2 mil páginas. As oitivas foram gravadas em vídeo.

Dilma e Lula receberam R$ 80 milhões em propina

Foto: Wagner Ferreira/Futura Press

Dois delatores da JBS afirmaram que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, receberam total de R$ 80 milhões em propina da empresa. A contrapartida seria a intervenção em órgão públicos para garantir vantagem à companhia. LEIA A MATÉRIA COMPLETA

J&F tem até 23:59 para pagar R$ 12 bilhões por acordo de leniência

Divulgação/JBS

O Ministério Público Federal deu um ultimato ao grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, para fechar o acordo de leniência (espécie de delação) com a empresa. Caso o grupo não aceite pagar R$ 11,69 bilhões até as 23h59 desta sexta-feira (19), as negociações estarão encerradas. LEIA A MATÉRIA COMPLETA

Temer recebeu R$ 15 milhões em propina

Em depoimento de delação premiada, o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, afirmou que  presidente Michel Temer (PMDB) recebeu cerca de R$ 15 milhões em pagamentos de vantagens indevidas em 2014. LEIA A MATÉRIA COMPLETA

Temer e Aécio agiram juntos para frear a Lava Jato

Reuters

Janot afirma em seu pedido que o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram articulados para frear a Lava Jato.

“Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos. Desta forma, vislumbra-se também a possível prática do crime de obstrução à Justiça” afirma Janot.

Aécio afirma que Temer pediu retirada de processo no TSE após queda de Dilma

Nas gravações entre Aécio e Joesley, o tucano afirma ao empresário que Temer pediu a ele a retirada de sua ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a ex-presidente sofrer impeachment.

“A Dilma caiu, a ação continuou, e ele quer que eu retire a ação, cara, só que se eu retirar, e não estou nem aí, eu não vou perder nada, o Janot [procurador-geral da República] assume, o Ministério Público assume essa merda”, diz o senador.

Dono da JBS afirma ter dado R$ 1 milhão a Marta Suplicy

Futura Press

Em vídeo divulgado (assista abaixo), Batista afirma que foi apresentado por um intermediário à senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). Segundo o dono da JBS, foram repassados R$ 500 mil em espécie para a senadora e mais R$ 500 mil em doações oficiais. O encontro teria ocorrido no escritório de campanha de Marta.

Esquema no Ministério da Agricultura também é revelado

Para Janot, houve ‘anuência’

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, disse nesta sexta-feira (19), ao comentar as gravações feitas pelos donos da JBS com o presidente Michel Temer, que houve “anuência” do peemedebista. A afirmação é relacionada ao pagamento de propina mensal para o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por parte de Joesley Batista, um dos donos da JBS.

“Os interlocutores tratam do ex-deputado Eduardo Cunha. Joesley afirma que tem procurado manter boa relação com o ex-deputado, mesmo após sua prisão. Temer confirma a necessidade dessa boa relação: ‘tem que manter isso aí, viu’. Joesley fala de propina paga ‘todo mês, também’ ao Eduardo Cunha, acerca da qual há anuência do presidente”, afirma o relato oficial registrado pela PGR.

Conforme gravação, esse é o diálogo entre o presidente e o dono da JBS no qual se faz referência a Eduardo Cunha:

Joesley Batista: Agora… o negócio dos vazamentos. O telefone lá [inaudível] com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, e não sei o que. Eu estou lá me defendendo. Como é que eu… o que é que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok…

Michel Temer: Tem que manter isso, viu… [Inaudível]

Joesley: Todo mês. Também. Eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado aqui no processo, assim [inaudível]…

Manter Cunha sob controle era “interesse de Temer”

Janot ainda afirma que o pagamento de propina a Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro, mesmo depois de ambos presos, tinha como “motivação principal” gerar uma garantia do silêncio de ambos. Ou, ao menos, destaca o procurador-geral, a combinação de versões sobre irregularidades.

“Eduardo Cunha, ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, era do mesmo partido do presidente da República, PMDB, e se tornou pública a tentativa de Cunha arrolar o presidente da República como uma de suas testemunhas, fato reconhecido pelo próprio presidente como uma tentativa de constrange-lo. Depreende-se dos elementos colhidos o interesse de Temer em manter Cunha controlado”, explica Janot.

LEIA NA ÍNTEGRA O PEDIDO DE JANOT E A DECISÃO DE FACHIN