STF tem maioria para obrigar União a garantir 2ª dose de vacina contra Covid em SP

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*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL.- 29.08.2021 - VacinaSampa. Campanha de vacinação contra Covid da Prefeitura de São Paulo no Parque do Carmo, zona leste da capital. O local atendeu Adolescentes com 12 a 17 anos com qualquer tipo de comorbidade e segunda dose dentro do prazo marcado na primeira dose.  - (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL.- 29.08.2021 - VacinaSampa. Campanha de vacinação contra Covid da Prefeitura de São Paulo no Parque do Carmo, zona leste da capital. O local atendeu Adolescentes com 12 a 17 anos com qualquer tipo de comorbidade e segunda dose dentro do prazo marcado na primeira dose. - (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votou a favor de determinar que o Ministério da Saúde envie a São Paulo a quantidade de vacinas necessárias para garantir a aplicação da segunda dose contra Covid na população de São Paulo.

O julgamento está sendo feito no plenário virtual e será concluído às 23h59 desta terça-feira (14). A corte avalia se concorda com decisão liminar (provisória) tomada pelo ministro Ricardo Lewandowski há cerca de um mês.

Na ocasião, Lewandowski atendeu ao pedido do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que questionou no STF o novo critério adotado pelo governo Bolsonaro para a distribuição de imunizantes aos estados. De acordo com o tucano, os paulistas passaram a receber menos doses.

Doria pediu que o STF determinasse a reposição das doses cortadas, além de garantir o fluxo pelo critério que vinha sendo adotado antes e no qual se baseava o calendário de vacinação.

Lewandowski, na época, afirmou: "Mudanças abruptas de orientação que têm o condão de interferir nesse planejamento acarretam uma indesejável descontinuidade das políticas públicas de saúde dos entes federados, levando a um lamentável aumento no número de óbitos e de internações hospitalares".

A mudança de critério tinha ocorrido em reunião tripartite entre representantes de secretarias de saúde estaduais e municipais, além do Ministério da Saúde. Pela nova distribuição, o envio de vacinas passou a se dar com base na distribuição por faixa etária de cada unidade da Federação.

Antes, o sistema levava em consideração o total da população de cada estado. São Paulo, assim, recebia cerca de 22% das doses. Pelo novo cálculo, passou a receber 18%.

O objetivo, segundo o ministério, era o de que todos os estados finalizassem "o processo de imunização sem que haja benefícios ou prejuízos à suas respectivas populações". A pasta informou ainda ao STF que "a compensação se dará de modo gradual".

O próprio Ministério da Saúde chegou a reconhecer que São Paulo estava com falta de doses.

No julgamento que acaba nesta terça, Lewandowski referendou a decisão que ele mesmo tinha proferido antes. De acordo como o ministro, cabe ao governo federal assegurar "ao estado de São Paulo a remessa das vacinas necessárias à imunização complementar das pessoas que já tomaram a primeira dose, dentro do prazo estipulado nas bulas dos fabricantes e na autorização da Anvisa".

O sistema registra mais cinco votos, todos alinhados ao relator: Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Rosa Weber e Edson Fachin. Atualmente, o STF é composto por dez ministros.

Em agosto, ainda antes de Lewandowski dar sua decisão liminar, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a ação do governo de São Paulo na Justiça era descabida. Ele classificou o ato como litigância de má-fé --quando o Judiciário é usado de forma indevida ou abusiva.

"Apesar de ser um direito ir à Justiça, entendo que é uma ação descabida. De certa maneira, é uma litigância de má-fé por parte do estado de São Paulo", disse o ministro. "Como estão anunciando vacinação entre 18 e 20 anos [de idade] e não tem vacina? Tem vacina sim, têm recebido vacinas".

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