Streamers da Twitch denunciam ataques de ódio sofridos durante transmissões

Gamepad preto na frente da tela de um computador
Com mais de 30 milhões de visitantes diários, Twitch é a maior plataforma de streaming de videogame do mundo. (Lionel Bonaventure/ AFP)
  • Um professor sueco revelou estar recebendo imagens violentas e ofensas transfóbicas

  • Usuários levantaram hashtag no Twitter para denunciar os casso de assédio e ataques de ódio

  • Plataforma informou estar aperfeiçoando a segurança do espaço

O que era para ser um momento de descontração e lazer para Gabriel Erikkson Sahlin se tornou motivo de desgaste e ansiedade. Streamer na Twitch, maior plataforma de streaming de videogame do mundo, o professor sueco transexual tem sido alvo de violentos ataques virtuais nos últimos meses por parte de outros usuários.

Gabriel joga The Sims e Dragon Age e, durante as transmissões, fala abertamente sobre sua identidade de gênero e até tira dúvidas. Porém, as ofensas transfóbicas, imagens violentas de decapitações e mensagens de robôs que incitam até mesmo o suicídio têm feito com que ele pense se realmente vale a pena se conectar para jogar.

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Mas infelizmente, o professor não é único. Ele faz parte do grupo de usuários da Twitch que têm sofrido com os hate raids (ataques de ódio organizados), no qual RekItRaven também está. O site é o local de trabalho da criadora de conteúdo, que recebe diversas ofensas e referências ao grupo supremacista branco Ku Klux Klan especialmente por ser uma pessoa negra e não-binária – que não se identifica nem como homem nem como mulher, podendo ser ambos, nenhum, ou fluir entre um e outro.

Raven foi a pessoa responsável por criar o slogan #TwitchDoBetter (em português, #TwitchFaçaMelhor) no Twitter, e dezenas de usuários aderiram ao movimento para protestar contra o silêncio da plataforma.

O que diz a Twitch

De acordo com o site, novas medidas de segurança estão sendo desenvolvidas para barrar esse tipo de situação e falhas nos filtros automáticos já foram corrigidas. Até o momento, os usuários revelam não terem notado diferenças.

Além disso, a Twitch planeja algumas mudanças para identificar e banir os agressores, como autenticação em duas etapas, maiores poderes para os moderadores e a imposição de um tempo de espera, para novas contas, antes de começarem a participar de conversas.

Segundo as vítimas, o desafio está em barrar a ação dos responsáveis, que conseguem passar pelas rachaduras dos algoritmos ao digitar palavra proibidas de forma incorreta. A sensação de impunidade e anonimato também contribuem para a recorrência dos assédios.

A Twitch foi criada em 2011 e, três anos depois, comprada pela Amazon. Atualmente, conta com mais de 30 milhões de visitantes diários, sendo a maioria pessoas que se conectam para acompanhar os streamers jogando videogame.