Suécia cede à exigência turca e altera Constituição em leis antiterrorismo

O Parlamento da Suécia aprovou esta quarta-feira uma emenda à Constituição para permitir o endurecimento das leis antiterrorismo.

A alteração foi aprovada com o voto de 278 dos 349 deputados do Riksdag, o parlamento sueco.

A decisão surge em linha com uma exigência da Turquia em troca do aval para a entrada da Suécia na NATO e foi votada cerca de uma semana após a visita do primeiro-ministro Ulf Kristersson a Ancara, onde foi recebido pelo presidente turco.

O chefe do governo escandinavo prometeu a Erdogan mudanças na lei antiterrorismo e a emenda agora aprovada vai facilitar, a partir de janeiro e como deseja a Turquia, a busca em casos suspeitos e a captura de membros de grupos considerados terroristas.

Desde que foi anunciada em maio a vontade da Suécia e da Finlândia de se juntarem à Organização do Tratado do Atlântico Norte, Recep Tayyp Erdogan tem vindo a pressionar os escandinavos para deixarem de ser um abrigo de pessoas ligadas a grupos terroristas curdos como o PKK, também na lista negra da União Europeia, ou as YPG, as milícias curdas que se tornaram famosas pelo combate ao Daesh no norte da Síria, mas que também se batem pela independência da região curda na Turquia.

A Suécia resistiu durante anos à pressão turca, mas perante a invasão da Ucrânia pela Rússia, Estocolmo sentiu necessidade de rever a histórica neutralidade face à NATO, mas para entrar na aliança precisa da autorização unânime de todos os 30 membros do bloco atlântico, de que faz parte Portugal.

Falta apenas os votos da Turquia e da Hungria, mas agora o aval turco para a adesão da Suécia poderá ter sido assegurado.