Suécia indicia irmãos acusados de atuarem como espiões para a Rússia

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 14.11.2019 - O presidente russo, Vladimir Putin, durante reunião do Brics, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 14.11.2019 - O presidente russo, Vladimir Putin, durante reunião do Brics, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Promotores da Suécia indiciaram dois irmãos por atuarem como espiões para a Rússia nesta sexta-feira (11). Eles são acusados de vazar informações para o GRU, unidade de inteligência militar da Defesa russa, por uma década.

Identificados como Peyman e Payam Kia, os irmãos nasceram no Irã e têm 42 e 35 anos de idade, respectivamente. Segundo a agência de notícias AP, Peyman teria trabalhado para a polícia e para as Forças Armadas suecas.

A equipe de defesa deles não foi localizada, mas ambos haviam negado todas as acusações anteriormente --eles estão detidos desde o ano passado, e podem ser condenados à prisão perpétua caso sejam considerados culpados.

Um documento obtido pela AP afirma que os irmãos colaboraram para o GRU de setembro de 2011 ao mesmo mês de 2021. De acordo com o ele, Peyman, o mais velho, era o responsável por colher inteligência. Payam então repassava as informações a seus contatos russos e recebia os pagamentos.

O caso é investigado pela agência de segurança doméstica da Suécia, Sapo. O órgão afirma que iniciou as investigações contra Peyman em 2017, quando começou a suspeitar de que seu ex-funcionário estava vazando dados.

A promotoria sueca diz que as informações a que os irmãos tiveram acesso podem afetar a segurança nacional caso tenham caído nas mãos de um poder estrangeiro, acrescentando que a maior parte das investigações do crime ocorre sob sigilo.

Por anos, agências de inteligência europeias alertaram sobre atividades clandestinas dos espiões russos, olhando com desconfiança aqueles que torciam pelo país e por seu presidente, Vladimir Putin.

Moscou em geral classificava isso de uma "russofobia" paranoica --sua resposta a quase todas as críticas estrangeiras. Mas a invasão da Ucrânia, cerca de nove meses atrás, deu margem para que governos ocidentais levassem várias dessas suspeitas a sério, acelerando os esforços para erradicar redes ocultas de espiões e seus recrutas.

No mês passado, outra nação nórdica, a Noruega, prendeu o que a polícia local afirmava ser um espião russo se passando por brasileiro. O sujeito, que não teve a identidade revelada --só a idade aproximada, entre 30 e 40 anos--, se identificava como cientista na Universidade de Tromsö, no norte do país.

Em junho, a Holanda deportou outro russo que dizia ser brasileiro. De acordo com as autoridades do país, Serguei Vladimirovitch Tcherkasov, de 36 anos, teria tentado se infiltrar no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, sob a identidade de Viktor Muller Ferreira. O tribunal é responsável por investigar, entre outros, possíveis crimes de guerra cometidos na Guerra da Ucrânia.