Suécia reconhece Estado palestino e deseja retomada do processo de paz

Por Simon Johnson
Chanceler sueca Margot Wallstrom concede entrevista em Estocolmo nesta quinta-feira. REUTERS/Annika AF Klercker/TT News Agency

Por Simon Johnson

ESTOCOLMO (Reuters) - O governo da Suécia reconheceu oficialmente o Estado palestino nesta quinta-feira e disse haver sinais de que países da União Europeia irão seguir seu exemplo.

O gesto atraiu elogios do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e críticas de Israel, além de desagradar aos Estados Unidos, principais apoiadores do Estado judeu.

Israel convocou seu embaixador para consultas, dizendo que a decisão é contraproducente e prejudicará as perspectivas de futuras negociações.

A ministra sueca das Relações Exteriores, Margot Wallstrom, declarou aos repórteres que seu governo torce para que a medida traga uma nova dinâmica aos esforços para encerrar as décadas de conflito israelo-palestino.

“Nossa decisão ocorre em um momento crítico, porque ao longo do último ano vimos como o processo de paz estagnou, como as decisões a respeito de novos assentamentos em terras palestinas ocupadas complicaram a solução de dois Estados e como a violência voltou a Gaza”, disse ela.

“Há um debate em andamento em muitos outros Estados-membros da UE, e com sorte também um gesto semelhante”, afirmou Wallstrom. “Há sinais claros de que isso pode acontecer também em outros Estados-membros”.

Os palestinos desejam fundar um Estado na Cisjordânia, ocupada por Israel, e na Faixa de Gaza, que sofre bloqueio de Tel Aviv, com Jerusalém Oriental como sua capital. Os territórios foram capturados por Israel na guerra de 1967, embora soldados e colonos israelenses tenham se retirado de Gaza em 2005.

Anos de empenho para encontrar uma solução de dois Estados obtiveram pouco progresso, e a mais recente tentativa de negociação fracassou em abril. Os palestinos agora veem pouca alternativa além de adotar uma iniciativa unilateral em busca do reconhecimento como Estado.

Um total de 135 países já reconheceram a Palestina, inclusive vários países do leste europeu, que o fizeram mesmo antes de entrar na União Europeia – o Brasil também o fez.

A medida sueca despertou repúdio imediato de Israel. O ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, a chamou de “decisão desastrosa” que irá incentivar extremistas palestinos.

“O governo sueco deveria entender que as relações no Oriente Médio são mais complexas do que uma peça de mobília, e o assunto deveria ser tratado com responsabilidade e sensibilidade”, declarou Lieberman em um comunicado da pasta.

A liderança palestina conclamou outros países a seguirem a Suécia, dizendo que estabelecer um Estado palestino independente com Jerusalém como capital aumentaria as chances de paz.

“Esta decisão é uma mensagem a Israel e uma resposta à ocupação contínua de territórios palestinos”, declarou Nabeel Abu Rdeineh, porta-voz de Abbas.

Mais cedo neste mês, o negociador-chefe dos palestinos para a paz disse que uma resolução seria apresentada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo um prazo até novembro de 2017 para o estabelecimento de dois Estados baseados nas fronteiras que existiam antes da guerra de 1967.

Como o parlamento da Grã-Bretanha reconheceu a Palestina em uma votação não-vinculante no início de outubro, e votações semelhantes estão previstas na Espanha, França e Irlanda, os palestinos esperam um crescimento no ímpeto europeu.

Wallstrom declarou que o gesto da Suécia almeja apoiar os palestinos moderados e deixá-los em uma situação mais parecida com a de Israel nas negociações de paz, assim como dar esperança aos jovens dos dois lados.

“Estamos tomando o partido do processo de paz”, disse.

Neste mês, os EUA afirmaram crer que um reconhecimento internacional do Estado palestino seria prematuro.