Suíça mantém silêncio por espião suíço detido na Alemanha

O ministro da Defesa suíço, Guy Parmelin, em São Gotardo, nos Alpes suíços, em setembro de 2016

O ministro da Defesa suíço, Guy Parmelin, se recusou nesta terça-feira a comentar a detenção de um cidadão suíço em Frankfurt (Alemanha) suspeito de ser um espião a mando do SRC, o serviço secreto da Confederação.

Parmelin, que apresentava em Berna o relatório anual dos serviços secretos, indicou aos jornalistas que não tinha comentários sobre o tema, segundo a agência suíça ATS.

O caso envolve depósitos bancários na Suíça e não declarados ao fisco alemão pertencentes a cidadãos alemães abastados.

Para tributar estes fundos, a Alemanha comprou nos últimos anos de intermediários as listas de clientes alemães não declarados, uma prática que ofuscou na Suíça.

Segundo seu advogado, o homem, detido na sexta-feira e declarado em prisão preventiva na Alemanha, "é suspeito de ter investigado a conta do SRC sobre investigadores fiscais alemães ilegais na Suíça".

Seria, segundo a imprensa, Daniel M., de 54 anos. Sua detenção foi ordenada pelo procurador federal alemão de Karlsruhe.

O ministério das Relações Exteriores suíço indicou que havia sido informado da detenção de um cidadão suíço na Alemanha, sem dar mais detalhes.

Parmelin indicou nesta terça-feira que o serviço secreto suíço "tem por missão detectar problemas para permitir à Confederação intervir a tempo" e que age "no respeito às leis em vigor para proteger a Suíça e seus habitantes".

Ele também mencionou que as atividades do serviço secreto são estritamente controladas e que este controle será reforçado quando entrar em vigor a nova lei suíça sobre a inteligência.

Desde janeiro de 2006, vários estados alemães, como Renânia do Norte-Westfália, compraram informações da Suíça ou de Liechtenstein. Este método gerou polêmica na Alemanha e as relações entre Berna e Berlim ficaram tensas.